O Comitê de Luta pelo Auxílio-Alimentação na USP divulgou nota nesta segunda-feira (14/6) na qual expõe incongruências nos números divulgados pela própria universidade em relação às suas políticas de permanência estudantil. O grupo cobra transparência nos dados e a participação dos estudantes na gestão do programa de permanência.
 
Desde o início do ano de 2021, relata a nota, as mobilizações em torno do auxílio-alimentação pecuniário tomaram forma e vêm ganhando cada vez mais adeptos. “A situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar em que a Universidade de São Paulo abandonou seus estudantes mais pobres durante o período de pandemia, somado ao fato de ignorarem nossas demandas e não oferecerem alternativas coerentes com a realidade posta de fechamento dos restaurantes universitários e isolamento social, fez com que o movimento se espalhasse pelos campi, juntando estudantes de diversas unidades em prol desta luta”, afirma o texto.
 
A nota lista uma série de ações por meio das quais o comitê vem buscando informações e cobrando transparência da USP. A Reitoria apresentou dados após alguns episódios de exposição pública dos problemas — como em reportagem exibida pelo telejornal SP1, da TV Globo que mostrou as dificuldades de acesso à alimentação e a precariedade da infraestrutura do Conjunto Residencial da USP (Crusp) —, mas mesmo assim com informações “insuficientes e contraditórias”, de acordo com o comitê.
 
O grupo qualifica como “patética” a forma como a universidade “veicula matérias e reportagens (...) com tom otimista” no Jornal da USP, porém apresentando “uma visão completamente descolada da realidade, visando construir uma imagem fantasiosa que só existe nos discursos dos dirigentes”.
 
“Falam sobre as marmitas como se contemplassem de fato os estudantes que moram longe das unidades e não podem (e nem deveriam) se deslocar para ter acesso à alimentação, como se o Crusp não estivesse caindo aos pedaços e como se a distribuição de kits de limpeza fosse diária e suficiente para suprir as necessidades de seus moradores”, prossegue a nota.
 
O comitê buscou dados oficiais até por meio do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) oferecido pela USP, mas sem obter respostas. Publicou então uma denúncia que mostrava a queda do número de estudantes contemplado(a)s pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). No dia 3/6, a Superintendência de Assistência Social (SAS) divulgou “esclarecimento sobre número de auxílios concedidos” — informações, demonstra o comitê na nota, contraditórias em relação a outras fontes oficiais da universidade. 
 
“A falta de convergência vista nos dados referentes ao auxílio-alimentação se repete também nos dados das outras modalidades do PAPFE. Ou seja, a USP se mostrou incapaz de fornecer informações consistentes e confiáveis sobre sua política de permanência estudantil e ainda [demonstrou] negligência para com os estudantes. É evidente a incompetência da universidade em garantir políticas de permanência efetivas e o descolamento do debate com os estudantes” diz a nota.
 
O comitê conclama a USP a se explicar sobre os dados “de forma realmente transparente”, em lugar “de se envergonhar publicando números desencontrados”. O diálogo entre as partes e a transparência são princípios fundamentais, defende o grupo.
 
As questões levantadas pelo Comitê de Luta pelo Auxílio-Alimentação na USP coincidem em grande medida com preocupações relacionadas à saúde mental do corpo discente, elencadas em artigo de professoras ligadas à Rede Não Cala! disponível aqui.