Os ataques do governo federal às liberdades democráticas, à livre organização política e aos movimentos sociais vêm se intensificando à medida que se aproxima o 7 de setembro, quando a(o)s apoiadora(e)s do presidente Jair Messias Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) vão realizar atos a favor do atual governo, com chamamentos pela “intervenção militar”, fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), entre outros absurdos.
 
Bolsonaro mantém constantemente inflamados os seus seguidores e não perde oportunidade para reafirmar seu discurso autoritário, belicista e de confronto às instituições. Nesta quarta-feira (1/9), em evento com esportistas no Rio de Janeiro, disse que uma guerra não se ganha com flores e recorreu a uma antiga máxima latina: “quem quer a paz”, provocou, precisa “se preparar para a guerra” (si vis pacem, para bellum).
 
A resistência ao descalabro promovido por um governo responsável pelo genocídio de mais de 580 mil brasileiros na pandemia da Covid-19, pelo desemprego e inflação crescentes e pela volta do Brasil ao mapa da fome continua sendo articulada por organizações, partidos e movimentos que desde maio têm promovido grandes manifestações em todo o país na campanha #ForaBolsonaro.
 
Na próxima terça-feira (7/9), será realizada mais uma rodada nacional de protestos. “O 7 de setembro não deve ser uma data para nos intimidar, mas para reagir à altura, com um grito unitário: fora governo genocida! É preciso coragem para lutar contra o desmonte do Brasil”, convoca o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). A entidade exorta todas as seções sindicais a construir manifestações em suas cidades e Estados.
 
Assim como vem ocorrendo desde maio, a Adusp estará presente nos protestos. Em São Paulo, a manifestação vai ocorrer no Vale do Anhangabaú, no Centro da cidade, com início às 14h, e incorporar o 27º Grito dos Excluídos e Excluídas, organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1995. Em Ribeirão Preto, a concentração está prevista para 9h na Praça 7 de Setembro e, em São Carlos, na Praça do Mercadão, às 10h.
 
Neste ano, o Grito dos Excluídos e Excluídas tem como lema “Vida em primeiro lugar!”, com ênfase na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já. Em São Paulo, a organização cabe ao Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese, organizações populares e movimento sindical.
 
Em todas as manifestações deverá haver uso de máscara e de álcool em gel, além da preocupação em manter o distanciamento social.

Justiça autoriza ato no Anhangabaú e contraria Doria, que promete revistar todos os manifestantes

O governador João Doria (PSDB) — no melhor estilo do figurino “BolsoDoria” que adotou em 2018 — tentou impedir a realização dos protestos da campanha #Fora Bolsonaro e do Grito dos Excluídos e Excluídas na capital e liberou a Avenida Paulista apenas para o ato dos apoiadores do governo federal. Doria alegou, entre outras razões, que não haveria contingente policial para garantir a segurança de duas manifestações.
 
No entanto, na última sexta-feira (27/8), decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), derrubou a pretensão do governador e reafirmou que, se a manifestação na Avenida Paulista foi autorizada para um grupo, não se pode vedar realização de atos em outro local.
 
Nesta quarta (1º/9), Doria garantiu em entrevista coletiva que a polícia fará revistas em todos os manifestantes que estiverem nas ruas da capital nos protestos do dia 7/9. “Todos que forem às manifestações, tanto pró-Bolsonaro quanto os que irão contra Bolsonaro, serão revistados. A Polícia Militar recebeu a orientação para que todos, sem exceção, com mochilas, com bolsas, com bolsos, sejam revistados. Em hipótese nenhuma será permitido qualquer tipo de armamento em poder de quem quer que seja, mesmo que sejam policiais aposentados. Se forem, serão convidados a se retirar e não participarão da manifestação”, disse.
 
Na terça (31/8), reunião entre a Polícia Militar e representantes dos grupos que organizam as manifestações definiu que o protesto #ForaBolsonaro e Grito dos Excluídos e Excluídas ocorrerá das 14h às 17h no Vale do Anhangabaú, enquanto a Avenida Paulista estará liberada para as manifestações favoráveis ao governo das 11h às 18h. Considerando que haverá dois atos com propósitos opostos, é preciso que as pessoas fiquem atentas para garantir segurança.
 
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