Dez centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, à qual se filia o Andes-Sindicato Nacional, emitiram nota em 19/2 na qual externam sua solidariedade aos trabalhadores rodoviários do Maranhão — que entraram em greve em 16/2 — e repudiam a prisão de diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário no Estado do Maranhão (STTREMA), ordenada por uma desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
 
Três dirigentes do STTREMA chegaram a ser presos. Como a greve foi suspensa nessa mesma data, a desembargadora revogou a prisão dos sindicalistas. Na terça-feira (22/2) o Ministério Público do Trabalho (MPT-MA) realizou uma audiência de mediação entre os empresários do setor e o STTREMA, mas a negociação não avançou em razão da intransigência patronal.
 
Nova audiência foi realizada nesta quinta-feira (24/2). “Houve avanços nas tratativas, porém, ainda não foi celebrado acordo. Empregados e patrões terão a quarta rodada de negociações nesta sexta (25/2), às 11h, na sede do MPT-MA”, noticiou o site dessa instituição.
 
Os rodoviários pedem 15% de reajuste salarial, vale-alimentação de 800 reais e que seja mantido o cargo de cobrador nos ônibus. As empresas oferecem apenas 5% de reajuste. De acordo com a nota das centrais sindicais, “a paralisação é justo protesto por melhores condições de trabalho e pelo transporte público de qualidade”, ao passo que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) mostrou intransigência nas negociações e tentou criminalizar o movimento, com apoio de setores do Judiciário.
 
“A ofensiva contra os trabalhadores chegou a um tal ponto que, nesta sexta-feira (18), a desembargadora Solange Cristina Passos de Castro, do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, determinou a manutenção de ao menos 80% de toda a frota da grande São Luís, pena de R$ 50 mil por dia ao STTREMA e prisão de todos os dirigentes sindicais”, prossegue a nota. “A medida, absolutamente inconstitucional, é um atentado ao direito de greve e à organização dos trabalhadores, endossa práticas antissindicais e, pior, ignora por completo a duríssima realidade de trabalho da categoria”.
 
As centrais lembram que os trabalhadores locais do transporte “sofrem com a falta de reajuste decente, os assaltos frequentes aos ônibus e os veículos com constantes problemas mecânicos”. Além disso, explicam, “com a retirada dos cobradores de algumas linhas, os motoristas foram obrigados a acumular também essa função, ocasionando riscos para si e para os usuários”.
 
Por fim, a nota reafirma a solidariedade aos rodoviários e reitera o apelo ao diálogo e às negociações. “É preciso atender às reivindicações da categoria que há muito vêm sendo ignoradas pelos patrões. Essa luta não é só dos trabalhadores — mas também da população. A sociedade merece um sistema de transporte público de qualidade”.
 
A nota é assinada pelos dirigentes nacionais da CSP-Conlutas, CUT, Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCT), Central de Sindicatos do Brasil (CSB), Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Pública-Central do Servidor e Intersindical Instrumento de Luta.
 
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