A manifestação desta terça-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, no MASP e Avenida Paulista, mais uma vez não deixou de assinalar — com vigor e muitas cores, bandeiras, faixas e cartazes com palavras de ordem — a disposição de luta dos movimentos de mulheres para transformar uma realidade que, em muitos sentidos, ainda lhes é tremendamente desfavorável, hostil e violenta.

Machismo, assédio e discriminação no trabalho, violência doméstica (apesar da lei Maria da Penha) e feminicídios, que continuam a ocorrer em grande número e em episódios cada vez mais atrozes e chocantes — agravados durante os dois últimos anos de pandemia — compõem um trágico cenário nacional, que é preciso combater e alterar com urgência.

Por essa razão, a palavra de ordem “Fora Bolsonaro” mais uma vez esteve presente no MASP, ecoando o #EleNão (2018) e o #BolsonaroNuncaMais às vésperas de um novo processo de eleições presidenciais e agregando os sofrimentos decorrentes da pandemia de Covid-19 (que soma 650 mil mortes), do desemprego e da fome de milhões de brasileiras e brasileiros.

Desta vez, porém, os protestos incluíram outro personagem: o deputado estadual neofascista Artur do Val (ex-Podemos-SP e ex-MBL), conhecido como “Mamãe Falei” e apoiador de Bolsonaro nas eleições de 2018. Os repugnantes comentários de “Mamãe Falei” sobre as mulheres ucranianas, a propósito de viagem sua à Ucrânia, causaram enorme revolta por seu teor misógino, sexista e racista, e o parlamentar foi alvo de amplo repúdio das manifestantes. Além disso, poderá ter seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa (Alesp).

A manifestação saiu em marcha até a Praça Roosevelt, na região central da capital. A data de luta também foi marcada por atos no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, no Recife e em outras cidades. A Adusp participou das atividades em São Paulo, Ribeirão Preto, Piracicaba e Pirassununga.

Fotos: Daniel Garcia