Nesta terça-feira (14), a Google anunciou que terá um novo Centro de Engenharia em São Paulo. Acontece que, segundo o portal UOL, esse centro será sediado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), como parte do programa denominado IPT Open Experience, criado por Patricia Ellen, então secretária da pasta do Desenvolvimento Econômico durante gestão João Doria-Rodrigo Garcia. A frente do governo estadual, Garcia acelera o processo de privatização e descaracterização do IPT, que já abriga outras empresas privadas, como a Faculdade Inteli-IBTCC, ligada ao banco BTG Pactual. Atualmente a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está sob o comando de Zeina Latif, que traz no currículo “passagens como economista-chefe da XP Investimentos e cargos de destaque em instituições financeiras”, segundo página do governo estadual.
 
“Os trabalhadores do IPT receberam a notícia da vinda da Google para o campus do IPT pela imprensa. As chefias nada sabiam. A Google irá se instalar no prédio 1, chamado de edifício Adriano Marchini, construção terminada em 1954, um dos primeiros edifícios do campus da USP e símbolo do IPT”, comenta Priscila Leal, funcionária do instituto e diretora do SinTPq.
 
“Para além da questão simbólica que a ocupação da Google no campus sintetiza, há questões práticas, como o deslocamento do acervo histórico e bibliotecário do Instituto, relegado a um papel inexistente nas negociações. O que sabemos é que ficará a cargo da Google a decisão do destino da biblioteca, que conta com acervo de livros e documentos técnicos produzidos pelo IPT na alvorada do século 20. O que está em jogo é o apagamento da história da tecnologia e indústria paulista, intimamente ligada ao IPT”, denuncia a sindicalista.
 
“É a repetição do padrão de arrendamento do campus, que foi visto com a instalação do Inteli-IBTCC nos galpões históricos da metalurgia do IPT, no ano passado”, continua ela. “As decisões são tomadas no âmbito da diretoria, e os trabalhadores são, quando muito, informados brevemente por lives mensais promovidas pela diretoria executiva do Instituto, logicamente após a iniciativa privada já ter cacarejado orgulhosa o novo empreendimento para a imprensa liberal”.
 
De acordo com Priscila, as equipes do instituto têm recebido “ordens” de liberar seus espaços de trabalho e laboratórios para a entrada das empresas, nos espaços que estas desejarem. “O IPT virou um buffet tecnológico para corporações do mercado financeiro e big techs estrangeiras, que anseiam ocupar as instituições-símbolos do desenvolvimento científico e tecnológico públicos nacionais, empurrando as instituições centenárias para a edícula”, completa ela.
 
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