A comunidade acadêmica de São Paulo e de todo o país manifestou-se em peso em defesa da democracia e em repúdio aos ataques terroristas realizados às sedes dos três poderes em Brasília neste domingo (8/1).

Em nota assinada pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior e pela vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda, a Reitoria da USP afirma que “arruaceiros fanáticos mancharam de vergonha a capital federal na data de hoje [8/1]”. “Entidades do mundo todo, representantes de governos estrangeiros e instituições democráticas rechaçam a baderna e se solidarizam com o novo governo brasileiro, eleito e empossado legitimamente”, diz o texto.

Na nota, endossada por representantes de diversos órgãos e unidades da universidade, a USP rechaça “os que promovem a destruição, movidos pelo ódio e pela ignorância” e exige “o esclarecimento imediato dos fatos e a punição dos responsáveis pelo terrorismo”. “Ditadura nunca mais. Democracia sempre”, conclui a manifestação.

A universidade e a Faculdade de Direito convocaram manifestação em defesa da democracia que ocorreu no início da tarde desta segunda-feira (9/1) no Salão Nobre da Faculdade de Direito. 

A Adusp, que também divulgou nota em defesa da democracia, conclamou os e as docentes a participar desse ato e da manifestação no vão do Masp, às 18h.

A Reitoria da Unicamp afirma somar-se “aos defensores das liberdades e das instituições democráticas, prezando, acima de tudo, o respeito à Constituição Federal de 1988”.

“A defesa da democracia frente a investidas fascistas não permite ingenuidades. Urgem o esclarecimento dos fatos e a punição dos responsáveis”, ressalta a nota da Reitoria.

A Reitoria da Unesp “reafirma seus compromissos com a Democracia e com o estado de direito em nosso país e demanda enfaticamente que os responsáveis por tais eventos sejam punidos de forma exemplar”. 

Em editorial, o Jornal da Unesp ressalta que “este ataque direto às instituições basilares de nosso regime constitui, essencialmente, o ponto mais baixo de uma longa campanha, cujos autores e protagonistas são bem conhecidos de todos, voltada a solapar o ambiente democrático e empurrar a sociedade brasileira de volta aos períodos trevosos do arbítrio e do autoritarismo que tanto nos custou deixar para trás”. “Não conseguirão”, pontua.

Financiadores e agentes públicos omissos precisam ser identificados, apontam entidades

O Fórum das Seis, que reúne as entidades de servidora(e)s e estudantes das universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza, defende que “esses atos sejam investigados e toda(o)s as e os responsáveis, inclusive financiadores e agentes públicos omissos, sejam punidos”. 

“É imperioso que a soberania popular, expressa no incontestável resultado das urnas, seja garantida e respeitada. O Fórum das Seis conclama a(o)s servidora(e)s e a(o)s estudantes da Unesp, USP, Unicamp e Centro Paula Souza a se somarem nas manifestações em defesa da democracia que ocorrerão em todo o país”, diz a entidade.

Em nota publicada em suas mídias sociais, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Nível Superior (Andes-SN) registra ser “inaceitável o avanço do projeto golpista e conspiratório, que levou pessoas que defendem a extrema-direita às ações de depredação das instituições públicas em Brasília”.

A entidade qualifica os ataques como “profundo atentado à democracia, que teve a conivência das Forças Armadas, da Polícia Federal e da Polícia Militar do Distrito Federal, cuja ‘coibição’ foi praticamente um incentivo às ações truculentas”.

“A diretoria nacional do Andes-SN repudia veementemente essa investida golpista e convoca todas as seções sindicais a se juntarem às forças e movimentos sociais pela democracia e respeito ao voto popular. Não aceitaremos golpe e autoritarismo contra a classe trabalhadora. Fascistas não passarão!”, conclui a nota.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) afirma que “os atos terroristas que desafiam, ocupam e depredam as sedes dos três poderes de nossa República são intoleráveis, inaceitáveis e inescusáveis”.

“Os danos contra o patrimônio, contra a soberania popular e contra o Estado de Direito devem ser apurados com todo o rigor, não poupando nenhum terrorista, financiador e articulador destes atos criminosos, bem como aqueles que tenham viabilizado, ainda que por omissão, esse atentado às instituições brasileiras”, defende a entidade.

A Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca) afirma que “os atos praticados em 8 de janeiro de 2023 não podem ficar impunes e é preciso que as punições ocorrem como a urgência que a gravidade dos fatos praticados exige”.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) divulgaram nota conjunta na qual convocam para os atos em defesa da democracia que ocorrerão em todo o Brasil nesta segunda-feira.

“Entendemos que nesse começo do novo ciclo político será necessária muita mobilização social nas ruas de todo o país”, afirmam as entidades.

A(o)s estudantes qualificam os atos terroristas registrados em Brasília neste domingo como “intoleráveis” e defendem que “todos esses que atentaram, financiaram e incentivaram esses ataques (...) devem ser identificados e punidos, inclusive o próprio Bolsonaro, liderança maior desses criminosos”.

As representações estudantis lembram que, todas as vezes em que promoveram manifestações em Brasília, foram recebidas “com bombas de efeito moral e com a cavalaria da polícia do GDF [Governo do Distrito Federal]”, mas que os golpistas “foram recebidos cordialmente, como nos atos de terrorismo praticados antes, durante e após as eleições”.

“Não permitiremos que as eleições e a posse do novo governo democraticamente eleito sejam colocadas sob risco”, afirma a nota conjunta.

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