Milhares de pessoas tomaram as ruas de cidades em todo o Brasil nesta segunda-feira (9/1) para manifestar repúdio aos atos terroristas praticados por bolsonaristas na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no último domingo (8/1), e defender a democracia.

Daniel Garcia

Docentes da USP compareceram em número expressivo à manifestação na Avenida Paulista

Paulo Hebmüller

Milhares de manifestantes no entorno do MASP pouco antes das 19h00

Daniel Garcia

Marielle Franco, símbolo da resistência popular à opressão e ao fascismo

Daniel Garcia

Em grande número, manifestantes descem a Rua Augusta em marcha ao final do ato

 Andes-SN

Sindicato Nacional de Docentes (Andes-SN) participa da manifestação em Brasília

Em São Paulo, a manifestação, convocada pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, pela Coalizão Negra por Direitos, pela Convergência Negra e por centrais sindicais, ocupou boa parte da extensão da Avenida Paulista. 

Entre as principais palavras de ordem, estava o grito de “sem anistia”, expressando o desejo de que a(o)s bolsonaristas responsáveis pelos atos terroristas sejam punidos, e de que o próprio Jair Bolsonaro (PL) não deixe de responder pelos crimes dos quais venha a ser eventualmente acusado. 

Bolsonaro fugiu do Brasil num avião da Força Aérea Brasileira no dia 30/12/2022, sem passar o mandato a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1o/1, e permanece desde então na casa do ex-lutador de MMA José Aldo em Orlando, nos Estados Unidos. Vária(o)s parlamentares daquele país têm se manifestado contra a sua presença em território estadunidense.

A cobrança de investigações para a devida responsabilização criminal também se estendeu aos financiadores e patrocinadores dos atos golpistas, além das autoridades civis e militares que permitiram o avanço da(o)s bolsonaristas para vandalizar os prédios que sediam os poderes da República.

Na segunda-feira, o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), foi afastado do cargo por 90 dias pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. 

Nesta terça (10/1), Moraes determinou a prisão de Fabio Augusto Pereira, ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, que já havia sido afastado do cargo pelo interventor federal no DF, Ricardo Capelli.

Moraes determinou também a prisão de Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do DF, exonerado por Ibaneis – então ainda no cargo – logo após os ataques de domingo.

Torres, que no governo Bolsonaro foi ministro da Justiça, não estava em Brasília no dia dos ataques. De acordo com a decisão do STF, “sua omissão ficou amplamente comprovada (…) pela falta de segurança que possibilitou a invasão dos prédios públicos”.

Torres viajou para os Estados Unidos e, segundo o jornalista Tales Faria, do Uol, teria se encontrado com Bolsonaro em Orlando no sábado (7/1). A Polícia Federal deve efetuar a prisão assim que o ex-ministro e ex-secretário retornar ao Brasil.

“Ditadura nunca mais”, conclama presidenta da Adusp

Dezenas de docentes da USP estiveram no ato da Avenida Paulista. A presidenta da Adusp, Michele Schultz, foi uma das oradoras num dos carros de som da manifestação.

“Quero saudar todas as pessoas que estão aqui em defesa da democracia e contra o absurdo [a] que nós assistimos ontem [domingo], um absurdo que vem sendo gestado há muitos anos não só com Bolsonaro na Presidência, mas desde que essa pessoa estava no Congresso Nacional”, afirmou.

Michele Schultz ressaltou que a extrema-direita vem se organizando há muito tempo no país e que os democratas precisam seguir na defesa do Estado de Direito, como sempre fizeram.

“Nós, da Universidade de São Paulo, temos um histórico de resistência contra a Ditadura Militar. Ainda temos na nossa comunidade várias pessoas que foram torturadas, que foram presas e perseguidas”, afirmou. “Não perdemos o nosso estímulo para a luta em defesa daquilo que acreditamos: uma democracia que garanta direitos à população, que garanta moradia, saúde e educação públicas, com financiamento público.”

“Não sairemos das ruas enquanto não destruirmos o bolsonarismo e tudo o que representa”, prosseguiu a presidenta da Adusp. “O bolsonarismo não vai crescer, porque quem vai crescer somos nós, a resistência em defesa da democracia. Democracia sempre, ditadura nunca mais!”

Lideranças de movimentos sociais e da política, como o vereador e deputado estadual eleito Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL), também se manifestaram.

Grupos representando torcidas organizadas dos principais clubes de futebol de São Paulo – Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos – reuniram-se para participar da manifestação. “É importantíssimo a gente voltar a estar nas ruas”, afirmou o publicitário Chico Malfitani, um dos fundadores da Gaviões da Fiel.

Nani Sacramento, da direção nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), ressaltou que “a manifestação está dando um contraponto para o acontecimento estúpido de ontem em Brasília, contra a nossa democracia”. “Nós somos a maioria e essa maioria falou nas urnas no dia 30 de outubro”, afirmou. “Democracia não é aquilo de ontem. Democracia é o que vocês vão ver hoje”, enfatizou, em declarações registradas pelo jornal Brasil de Fato.

Por volta das 20h, as milhares de pessoas que participaram da manifestação se dirigiram até a Praça Roosevelt, no Centro da cidade, onde o ato foi encerrado.

A Polícia Militar deteve um homem que se infiltrou na marcha com um revólver na mão e foi abordado por um grupo de manifestantes. Em depoimento, o homem teria dito que toma remédios controlados. Ele foi liberado mais tarde. 

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