As professoras Cláudia Souza Passador, prefeita do Campus de Ribeirão Preto da USP, e Carla da Silva Santana Castro, vice-prefeita, devem deixar esses cargos no decorrer desta semana. A saída ocorre após a interrupção dos serviços do Restaurante Universitário (RU), causada pelo término, no dia 19/2/2020, do contrato com a empresa que produzia as refeições, e amplamente noticiada pelo Informativo Adusp. O RU foi terceirizado na gestão anterior da Prefeitura (PUSP-RP), a cargo do professor Américo Ceiki Sakamoto.
 

FEARP

Professora Cláudia Passador
 
Professora Carla Santana
 
Após protestos dos estudantes, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) e da Adusp, a Superintendência de Assistência Social (SAS) enviou um representante a Ribeirão Preto e garantiu fornecimento de marmitex para todos os alunos da graduação e pós-graduação, enquanto o RU não voltar a funcionar. A SAS deu a entender que arcaria com a despesa extra, uma vez que a PUSP-RP dizia ter verbas suficientes para fornecer marmitex apenas para os alunos bolsistas P-1 (socialmente vulneráveis). Posteriormente, porém, a PUSP-RP ficou sabendo que teria que pagar por todos os 3 mil marmitex diários.
 
Assim, um possível conflito entre a prefeita Cláudia Passador e a Reitoria, em decorrência das questões relacionadas ao RU, seria a explicação para o encerramento antecipado da atual gestão da PUSP-RP. Cláudia teria sido exonerada pelo reitor. Consultada pelo Informativo Adusp, a docente da Faculdade de Economia e Administração de Ribeirão Preto (FEARP) desmentiu essas versões, porém confirmou que deixará o cargo.
 
“Não fui exonerada, mas realmente vou pedir para sair”, declarou ela, em resposta às perguntas que lhe foram encaminhadas. “Realmente várias notícias equivocadas foram divulgadas pelo DCE e sindicato. Mas tudo está indo conforme previsto na questão do restaurante. Tenho uma nova proposta profissional e de pesquisa fora do Brasil. Como a Carla é uma indicação minha, sairemos juntas, mas ainda não temos data”, afirmou a prefeita.
 
Explicação semelhante partiu da vice-prefeita Carla Santana, que é docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). “Confirmo a minha saída, em decorrência da saída da professora Claudia Passador. Não fomos exoneradas”, disse ela ao Informativo Adusp. “Esta gestão da PUSP-RP sempre foi transparente e colaborativa, e como um órgão  executivo, empreendeu todos os esforços para que a universidade cumprisse a sua missão de atuar para o desenvolvimento da sociedade. Contudo, as nossas ações junto à PUSP-RP se encerram nesta semana. Não gostaria de fazer comentários adicionais”.
 
“É preciso voltar a funcionar com equipe própria”, diz diretor do Sintusp
 
“Não faz nenhum sentido culpar a Prefeita do Campus de Ribeirão Preto, ou sua equipe que faz as licitações, pelo que aconteceu com o RU. Foi uma consequência do processo de terceirização por que passa a USP”, declarou, a propósito da saída das professoras, o jornalista Luis Ribeiro, diretor do Sintusp. “A única forma de evitar [esse tipo de ocorrência] é desterceirizar, voltar a funcionar com equipe própria. E se colocarem na ponta do lápis verificarão que não fica mais caro”.
Ribeiro, que acompanhou as negociações entre manifestantes e a PUSP-RP, observa que a empresa que vinha fornecendo os serviços cumpriu os prazos legais e avisou com 90 dias de antecedência que não tinha interesse em prorrogar por um ano o contrato. “O problema é que não se consegue finalizar em 90 dias uma licitação que passa de R$ 6 milhões. Os trâmites internos e os prazos legais são longos, isso sem contar com as possibilidades de recursos e impugnações de quem participa”.
 
A USP, conclui o sindicalista, não pode deixar nas mãos de empresas terceirizadas áreas vitais como alimentação, limpeza, segurança e saúde. “É preciso rever com urgência essa estratégia de terceirização, investir na contratação de funcionários concursados e remontar as equipes que atuam nestas áreas. Ou voltaremos a ver estudantes circulando pelo campus com marmitex nas mãos, como está acontecendo agora em Ribeirão Preto”.
 
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