Nota da Diretoria da Adusp: “No atual contexto, com as medidas restritivas se intensificando, a universidade deveria adiar a realização da segunda fase do vestibular da Fuvest, prevista para 21 e 22 de fevereiro. Esse adiamento seria uma forma de demonstrar que quem faz ciência respeita recomendações cientificamente fundamentadas”

Tanto o exame presencial do ENEM quanto o do vestibular da Fuvest e de outras instituições de ensino superior deveriam ter sido adiados em razão dos números alarmantes da pandemia de Covid-19. Não é o caso de perguntar se tais provas podem ser aplicadas com maior ou menor segurança. Trata-se de conter a propagação do vírus num momento crítico, ainda que já se tenha em vista o controle da pandemia pela aplicação das vacinas, mas a prazo incerto.
 
Epidemiologistas asseguram que, por mais que haja prevenção, um evento desse porte no atual estágio da pandemia faz com que milhares de pessoas circulem em transporte público, fiquem, em algum medida, expostas à contaminação nas salas de prova, assim como pais, mães e responsáveis, que as acompanham, corram riscos similares. A prevenção recomendada por diversa(o)s epidemiologistas foi a de adiamento das provas.
 
No caso do ENEM, coordenado por um Ministério da Educação comprometido com um governo que nega a ciência e desqualifica as universidades e o trabalho científico, não há como desconsiderar que se tratava de uma tragédia anunciada. Mais de 50% da(o)s estudantes não compareceram — e quem foi arriscou-se a sofrer toda sorte de constrangimento: muita(o)s não conseguiram fazer a prova por falta de espaço nas salas ou a fizeram em salas lotadas, muitas vezes sem álcool em gel e outras prevenções adequadas. Quem mais se beneficiou com a realização do exame foi certamente o novo coronavírus.
 
O vestibular da Fuvest, ainda que realizado de forma mais organizada e com as necessárias precauções, certamente contribuiu para a propagação do vírus. A Fuvest já monitora ao menos 300 pessoas por conta de possíveis sintomas da Covid-19 após a realização da primeira fase, mas essa pode ser apenas a ponta do iceberg. A Reitoria da USP poderia ter agido para adiar o Enem e, por consequência, adiado também o vestibular da Fuvest, ao menos até que a pandemia indicasse sinais de controle, o que se espera por conta da campanha de vacinação que se inicia. Essa atitude também implicaria uma preocupação com os aspectos excludentes da realização desses exames, como se viu na enorme abstenção no Enem e na de 13,2% dos candidatos inscritos na Fuvest, quando em 2020 foi de 7,9%.
 
No atual contexto, com as medidas restritivas se intensificando, a universidade deveria adiar a realização da segunda fase do vestibular da Fuvest, prevista para 21 e 22 de fevereiro. Esse adiamento seria uma forma de demonstrar que quem faz ciência respeita recomendações cientificamente fundamentadas.
 
São Paulo, 29 de janeiro de 2021
Diretoria da Adusp
 
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