O retorno às atividades presenciais na USP – especialmente a volta às aulas, marcada para o próximo dia 14/3 – foi uma das ênfases do reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior na primeira reunião do Conselho Universitário (Co) da gestão, realizada na última terça-feira (22/2).
 
Carlotti ressaltou que os dados epidemiológicos mais recentes autorizam a manter a expectativa de queda nas curvas de contaminação e mortes provocadas pela Covid-19 nas próximas semanas, afirmando que “com nosso grau de vacinação e uso de máscaras vamos estar seguros para essa volta”.
 
“Estimulo que todos os dirigentes utilizem a data de 14/3 como grande objetivo para fazer essa volta de uma forma responsável”, disse.
 
No dia seguinte, em entrevista à Rádio Eldorado, reiterou a posição: “Todas as nossas instalações deverão estar funcionando de forma presencial, com acesso às nossas bibliotecas, às nossas salas de aula, aos nossos laboratórios de ensino e de pesquisa. A USP não é uma universidade de ensino a distância. Nosso foco é o ensino presencial. É isso que nossos alunos estão querendo e precisando e nosso corpo docente também”.
 
Na entrevista, o reitor disse que será obrigatória a comprovação da vacinação contra a Covid-19 para as atividades presenciais e que a comunidade pode fazer o cadastro dos comprovantes no aplicativo e-Card USP.
 
No dia 1º/2, a Reitoria nomeou uma nova comissão assessora para assuntos relacionados à Covid-19, coordenada pelo pró-reitor de Graduação, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, docente da Faculdade de Medicina (FM). A comissão tem dezenove membros docentes e um procurador da USP, mas nenhum representante, sequer, da(o)s funcionária(o)s nem da(o)s discentes (veja aqui a composição completa).
 
De acordo com o reitor, a comissão assessora “vai indicar as posições a serem adotadas principalmente em relação à volta às atividades presenciais, se vamos testar, se não vamos testar, os cuidados em sala de aula e fora etc”.
 
Carlotti anunciou ainda que vai realizar duas reuniões antes do início das aulas “para que todas as dúvidas possam ser sanadas”: uma com as pró-reitorias de Graduação e de Pós-Graduação e os conselhos das duas áreas (CoG e CoPGr) e outra com a(o)s diretora(e)s de unidades.

Representantes cobram participação dos setores nas decisões

As decisões da Reitoria sobre o retorno e a atribuição das decisões a uma comissão constituída unilateralmente foram questionadas por conselheira(o)s na reunião de 22/2 do Co. Vânia Ferreira Gomes Dias, servidora da Escola de Enfermagem (EE) e representante da(o)s trabalhadora(e)s, ressaltou a necessidade de abrir discussões mais amplas com os setores excluídos do comitê. “Temos possibilidade de contribuir muito com essa comissão assessora, e entendo que seria o momento de trabalhar em conjunto para que o retorno aconteça de forma segura”, disse.
 
A servidora apontou que há necessidades específicas de cada setor e que a universidade possui muitos espaços sem ventilação e sem condições para que as pessoas mantenham o distanciamento social.
 
Vânia lembrou também que os três setores já elaboraram um “Documento-base para Construção dos Planos Sanitários e Educacionais” – que está sendo atualizado, levando em conta os novos indicadores da pandemia.
 
Em nota publicada nesta quinta-feira (24/2), a Diretoria da Adusp ressalta que o documento-base “foi ignorado pela gestão Agopyan-Hernandes e ainda não se sabe se a gestão Carlotti-Arruda o respeitará e garantirá as condições impostas pela pandemia para o retorno presencial com segurança em todas as unidades da Universidade”.
 
A entidade defende que os pontos levantados na nota e o documento-base devem “subsidiar a discussão e a construção em cada campus e unidade tanto do respectivo Plano Sanitário e Educacional, como do retorno às atividades presenciais”.
 
Para que não restem dúvidas, prossegue a nota, “espera-se que a instituição atue no sentido democrático, considerando as várias condições humanas constatadas e também que ela siga as diretrizes embasadas no acúmulo de conhecimento atual”.
 
Na reunião do Co, Carlotti respondeu que a comissão é “formada por especialistas para dar as diretrizes à Reitoria” e que serão necessários “outros mecanismos” para chegar a bons resultados envolvendo toda a comunidade.
 
“Como a USP é muito heterogênea, é muito difícil ter uma decisão central porque as variações são muito grandes”, justificou.
 
Letícia Chagas, representante discente da graduação, reivindicou a incorporação de um auxílio-mudança nos primeiros três meses das aulas presenciais para a(o)s aluna(o)s mais vulneráveis incluída(o)s no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAFPE)
 
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