O Hospital Universitário (HU) da USP publicou no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (27/7) um comunicado de anulação de fases do concurso público lançado pelo Edital 047/2022 para o preenchimento de 22 vagas de técnica(o) de Enfermagem.
 
O comunicado diz que o superintendente do Hospital Universitário decidiu anular a prova presencial aplicada em 12/6 e todos os procedimentos seguintes, incluindo a publicação da classificação, divulgada no dia 21/6, e a convocação para contratação, publicada em 28/6, “após acolher as sugestões da Comissão de Apuração Preliminar Interna, que constatou potenciais conflitos de interesses e falha na segurança durante a conferência do gabarito da prova”.
 
“Em breve, os candidatos serão comunicados da data de aplicação da nova Prova de múltipla escolha”, prossegue a nota.
 
A anulação decorre das denúncias de um possível favorecimento às duas primeiras colocadas na classificação, as irmãs Jéssica Anaira Pimenta dos Santos e Bruna Aparecida Pimenta. Ambas acertaram as 40 questões da prova de múltipla escolha – as únicas pessoas entre a(o)s quase 7 mil candidata(o)s a gabaritar o exame.
 
A coincidência de sobrenome chamou a atenção de outra(o)s concorrentes, que descobriram pelas mídias sociais que Jéssica e Bruna são sobrinhas de Sueli Barros, secretária do Serviço de Ensino e Qualidade do HU, setor que participa dos processos de recrutamento e seleção de profissionais da área de enfermagem do hospital.
 
De acordo com a Comissão de Apuração, instaurada em 30/6, não há provas de vazamento do teste ou das respostas antes da aplicação, mas a possibilidade de que isso tenha ocorrido, as falhas de segurança na conferência do gabarito e o potencial conflito de interesses “decorrente da participação no processo de conferência do gabarito de um funcionário aparentado com dois candidatos do concurso” justificam a anulação da prova.
 
Em reportagem publicada pelo G1, Sueli Barros afirmou: “O que tenho para falar é que não participei deste processo [seletivo], gostaria que as pessoas que levantaram este fato apresentassem provas. Tenho 34 anos de Hospital Universitário, sempre mantive a ética. Quem está falando isso [do favorecimento], nem sei quem é, mas deve estar frustrado por não ter a mesma competência”.
 
As questões da nova prova, ainda sem data de aplicação, devem ser formuladas por uma banca composta por pessoas sem ligação com o HU, para evitar conflitos de interesse.