Fotos: Jornal do Campus

Circular estacionado entre Estação Butantã do Metrô e terminal de ônibus

 

 

Circular da linha 8032-10

 

Após pressões do DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme”, manifestações da representação discente no Conselho Universitário (Co) e reivindicações de diversos setores da comunidade, a Prefeitura do Campus USP da Capital (PUSP-C) tem conversado com a São Paulo Transporte (SPTrans) para buscar soluções para o problema da lotação dos ônibus, especialmente os circulares, na Cidade Universitária. Os circulares transportam 28 mil pessoas diariamente no câmpus, de acordo com a SPTrans.
 
Desde o início do semestre, com o retorno às atividades presenciais, a(o)s estudantes e toda(o)s a(o)s usuária(o)s do transporte público na Cidade Universitária têm sofrido com a lotação dos ônibus e a demora de algumas linhas, que circulam com poucos carros. A linha 7725 (Terminal Lapa-Rio Pequeno), por exemplo, tem operado com apenas três veículos, de acordo com informação que a própria SPTrans deu ao DCE-Livre.
 
Em resposta a questionamentos enviados pelo Informativo Adusp, a PUSP-C afirmou que ainda no ano passado, por ocasião da renovação do contrato com a SPTrans, negociou a troca de quatro ônibus tipo padron por veículos do tipo articulado, todos com ar condicionado, aumentando o número de passageira(o)s por viagem.
 
Porém, dado o “congestionamento do sistema” verificado com o retorno presencial, há outras propostas em discussão, informou a PUSP-C. Entre elas estão a remoção de catracas e a instalação de validadores nas portas para agilizar o embarque e a criação de novos slots no Terminal Butantã — de onde saem os circulares em direção ao câmpus — para possibilitar o aumento das partidas simultâneas nos horários de pico.
 
De acordo com a Prefeitura do Câmpus, “a remoção de catracas será testada em um ônibus padron e num biarticulado para avaliarmos os impactos na redução do tempo de embarque”. Já a ampliação do espaço nas plataformas do Terminal Butantã depende da transferência de algumas linhas da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) para o Terminal Vila Sônia, que deve entrar em funcionamento ainda em maio.
 
Na reunião do Conselho Gestor do Câmpus realizada no dia 14/4, a representação da(o)s servidora(e)s questionou a PUSP-C sobre a possibilidade de retorno dos ônibus circulares geridos pela USP. A professora Raquel Rolnik, prefeita do Câmpus da Capital, respondeu que existe uma doação de ônibus movidos a hidrogênio para um projeto de pesquisa na universidade e que, a depender dos resultados, esses veículos podem ser utilizados como circulares na Cidade Universitária.

Ônibus são insuficientes para absorver demanda que vem do metrô

De acordo com a prefeita, uma das causas da lotação dos ônibus nos horários de pico é a alta concentração de passageira(o)s que desembarcam na Estação Butantã do Metrô e se dirigem à Cidade Universitária. Em média, no período das 6h às 8h, mais de 2,7 mil pessoas desembarcam do metrô por hora, e cerca de 80% delas tem o câmpus como destino. Obviamente, os ônibus não dão conta de absorver a demanda com a mesma velocidade dos trens.
 
“O metrô é o modal de transporte público de maior capacidade, por isso é um desafio encontrar alternativas e medidas para tornar o sistema de ônibus capaz de absorver a grande quantidade de passageiros nos horários de pico, diminuindo a demora e a formação de filas. Entretanto, o serviço prestado pela SPTrans pode e deve melhorar”, disse Raquel Rolnik ao Jornal da USP.
 
A direção do DCE-Livre apresentou reivindicações ao presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, no dia 4/4, numa reunião intermediada pelo vereador Antônio Donato (PT). No final de março, a entidade já havia protocolado um ofício na Reitoria da USP cobrando a universidade a negociar com a empresa o aumento da frota dos circulares.
 
O DCE-Livre diz que, entre outras medidas, a SPTrans se comprometeu a estudar formas de acelerar o embarque nos circulares. A(o)s estudantes também manifestaram sua preocupação com a frequência dos circulares no turno da noite.
 
Em relação a outras linhas que circulam no câmpus, a empresa informou que a linha 177H-10 (Metrô Santana-Cidade Universitária) voltou a operar e tem 13 veículos. Já a 7725 deve ter o número de carros aumentado, prometeu Oliveira.
 
De acordo com o DCE-Livre, a SPTrans não deu nenhum retorno à entidade depois da reunião do início de abril.

Contrato da USP com a SPTrans é de R$ 16,9 milhões

A SPTrans opera com 18 veículos nas três linhas circulares do câmpus, sendo quatro do tipo articulado. A distribuição é a seguinte: sete na linha 8012-10, oito na linha 8022-10 e três na linha 8032-10.
 
A universidade paga mensalmente um valor correspondente à proporção de bilhetes USP (BUSP) utilizados sobre as passagens — em torno de 75% do total —, uma vez que há também passageira(o)s que utilizam bilhete único comum ou pagam em dinheiro. O valor anual do contrato é de R$ 16,921 milhões.
 
No mês de março, o pagamento foi de R$ 900,1 mil. Foram transportados 456,4 mil passageira(o)s, sendo 333 mil usuária(o)s do BUSP e 123,3 mil pagantes. A tarifa média por usuária(o) do BUSP foi de R$ 2,70.
 
Procurada pelo Informativo Adusp por meio de sua assessoria de imprensa, a SPTrans encaminhou manifestações evasivas e pouco objetivas sobre os questionamentos da reportagem.
 
Em relação à demora e à lotação dos circulares, a empresa limitou-se a dizer que “as partidas das linhas 8012-10, 8022-10 e 8032-10 são realizadas de acordo com a frota contratada pela administração do câmpus” e que, a pedido da USP, “foi necessária a substituição de quatro veículos tipo padron da linha 8022-10 por ônibus articulados, que permitem o transporte de um maior número de passageiros por viagem”.
 
Na visão da empresa, “a frota de ônibus em São Paulo está acima da demanda” verificada com o retorno da maioria das atividades presenciais na cidade após dois anos de restrições na circulação por conta da pandemia. “As equipes de fiscalização monitoram diariamente a operação e, caso haja alguma irregularidade, ações pertinentes são tomadas junto à empresa responsável”, disse a assessoria.
 
A SPTrans não se manifestou sobre eventuais encaminhamentos resultantes da reunião com o DCE-Livre.
 
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