O Comando dos 3 Setores da USP encaminhou nesta quinta-feira (15/7) para todos os membros do Conselho Universitário o “Documento-Base para Construção de um Plano Sanitário e Educacional”. O texto parte da premissa de que para cada um dos municípios nos quais a USP tem unidades há necessidade de um respectivo Plano Sanitário e Educacional, que assegure retorno seguro a atividades presenciais, frente às circunstâncias criadas pela pandemia de Covid-19.

“Considerando o contexto atual e a necessidade de construirmos coletivamente uma proposta, as entidades signatárias deste documento apresentam um conjunto de elementos para construção de planos sanitários e educacionais que prezem pela segurança da comunidade nas unidades e campi da USP”, explicam os autores.

“Já elaboramos e apresentamos ao Cruesp, como parte da Pauta Unitária do Fórum das Seis na campanha de data-base 20211, um documento contendo diretrizes gerais para a elaboração desses planos, contribuindo para a adequação das condições de estudo e trabalho durante e após a pandemia de Covid-19”, recordam. “Desde o dia 13 de março de 2020, logo após a declaração da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as entidades representativas, Adusp, Sintusp, DCE e APGs, vêm demandando reuniões e participação nos processos decisórios junto à Reitoria — sem qualquer retorno”.

O objetivo do documento é minimizar consequências e reparar prejuízos causados pela pandemia, “o que pode ocorrer se a USP trabalhar de forma preventiva e democrática, respeitando as contribuições da ciência e da comunidade acadêmica”. Eles lembram que, de modo autoritário, a Reitoria criou o chamado Grupo de Trabalho para Readequação do Ano Acadêmico (GT PRAA), composto por seis docentes, todos nomeados pelo reitor e sob a coordenação do vice-reitor, Antonio Carlos Hernandes, para tratar das condições de retorno às atividades presenciais. O GT PRAA elaborou sucessivas versões do “Plano USP para o retorno gradual das atividades presenciais”, cujos critérios são caudatários do Plano São Paulo do governo estadual.

“Os documentos apresentados à comunidade (atualmente na sua 17ª versão) desconsideram as realidades locais e o conhecimento de várias pesquisadoras e pesquisadores da USP e de outras universidades. Tais docentes têm realizado sólidas e reconhecidas pesquisas sobre a pandemia com o objetivo de entender e fazer recomendações para a formulação de medidas que garantam um retorno seguro às atividades presenciais. A restrição à participação dos diferentes setores que compõem a comunidade acadêmica é reveladora da intransigência e desrespeito da Reitoria. Foram protocolados vários documentos solicitando que fôssemos escutada(o)s e sequer obtivemos respostas”, denuncia o texto.

Ainda segundo o documento dos 3 setores, após o anúncio feito pelo governador João Doria em 7/7 o GT PRAA “emitiu comunicado lacônico, com certo grau de dubiedade”, o que gerou apreensão e dúvidas entre estudantes, funcionária(o)s e docentes. “É preciso dizer que muita(o)s estudantes que ingressaram nos anos de 2020 e 2021 não estabeleceram domicílio nas cidades em que estão localizados os campi da USP, por razões óbvias. É inadmissível que o GT PRAA e a Reitoria da USP sigam ignorando as diversas necessidades da(o)s estudantes durante e após a pandemia”.

Em novembro de 2020, o GT PRAA, “em seu sétimo documento, seguindo determinações do governo do estado, obrigou o retorno de funcionária(o)s às atividades presenciais”, o que deflagrou uma greve sanitária da categoria. A piora do quadro da pandemia obrigou o governo estadual a recuar e a Reitoria o seguiu, redefinindo assim o Plano USP. Mas o GT PRAA continuou a formular diretrizes sem ouvir a comunidade, dando margem, com seu “17º documento”, a decisões absurdas como a imposta pela direção da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).

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