O Fórum das Seis — que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza (Ceeteps) — aprovou moção de repúdio à forma como a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) está conduzindo a retomada de suas atividades presenciais. O documento, que foi encaminhado ao diretor da unidade, Rui Alberto Ferriani, e ao reitor Vahan Agopyan, destaca que, num momento “de tantas incertezas em relação à pandemia, não faz o menor sentido obrigar trabalhadores técnicos administrativos, docentes e estudantes, que podem manter suas atividades remotamente, a voltarem às atividades presenciais”, a não ser “para satisfazer as vontades políticas do governo estadual”.

Era de se esperar, diz o Fórum das Seis, que a FMRP “defendesse terminantemente que o distanciamento deve ser respeitado ou as atividades não devem ser realizadas, para não colocar em risco a saúde das pessoas”, mas não foi o que aconteceu. “É estarrecedor que uma unidade de ensino de excelência na área de saúde tenha reproduzido a seus trabalhadores um texto no qual afirma que ‘... nos locais em que o distanciamento não puder ser respeitado, orientamos, além da máscara facial obrigatória a todos, a utilização do face shield...’”, lamenta.  

Ainda segundo o Fórum, antes de qualquer retomada é necessário que sejam apuradas as denúncias recebidas pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) de que a maioria dos prédios da FMRP, tanto para atividades administrativas quanto laboratórios, não possui ventilação adequada e nem tamanho adequado para as pessoas que atuarão nestes prédios com as normas de prevenção à atual pandemia. “Segundo as denúncias, no ‘Prédio Central’ não há nem mesmo banheiros suficientes para os usuários e local para alimentação. E há ainda informações de dificuldades no recebimento de EPIs. Apenas quatro máscaras e um face shield teriam sido distribuídos há mais de um ano a cada trabalhador”.

Além disso, prossegue a moção, antes de qualquer retomada do trabalho presencial, a FMRP, “mesmo que tenha oferecido a seus trabalhadores a vacina contra a Covid-19, precisa avaliar que, ao transitarem por ambientes com múltiplas pessoas — como usuários, pós-graduandos, pesquisadores e cientistas de diversas regiões do país e do planeta — podem se tornar portadores assintomáticos do vírus e o retransmitirem para as pessoas de seu contato, em especial aos seus familiares, ainda não vacinados, como os filhos menores de idade”. Ter esse mapeamento e excluir essas pessoas com risco potencial de transmissão é essencial para interromper a transmissão da Covid-19, acrescenta.

Também é fundamental, continua o documento, a testagem periódica das pessoas que vão trabalhar presencialmente, independentemente de terem sido vacinadas. “A unidade precisa apresentar um plano sobre este tema antes de qualquer retomada, inclusive testando os trabalhadores, estudantes e professores. A informação recebida é de que o sistema de saúde oferecido pela USP em Ribeirão Preto não disponibiliza o exame PCR nem mesmo para as pessoas que apresentam os sintomas da Covid-19”, aponta.

“Portanto, não existe a possibilidade de uma rápida identificação dos infectados e, por consequência, a barragem da progressão do vírus. Tampouco há informações de que a FMRP disponibilizará aos funcionários, estudantes e professores qualquer tipo de testagem. Nem mesmo os prosaicos controles de temperatura com termômetros digitais nas entradas dos prédios, comuns em locais públicos, existem nas instalações da FMRP”.

É igualmente urgente, defende o Fórum das Seis, a apuração da denúncia feita ao Sintusp de que, “apesar da necessidade de intensificação na limpeza dos ambientes em virtude da pandemia, o quadro de funcionários terceirizados que desempenha essa importante função foi reduzido”. E que a maioria absoluta dos trabalhadores terceirizados ainda não está imunizada.

“É imperioso que a unidade que vai retomar atividade presencial esteja preparada para manter boletins epidemiológicos que apresentem diariamente os casos suspeitos, sua localização, testagem dos envolvidos e isolamento preventivo dos contactantes, como inclusive preveem os próprios documentos elaborados pelo GT da USP”, adverte a moção. Da mesma forma, advoga que a FMRP “mantenha em atividade, durante a pandemia, um GT que discuta a volta ao trabalho presencial e tenha representatividade dos trabalhadores técnicos administrativos, dos professores e dos estudantes, de forma eletiva ou, pelo menos, por meio da indicação dos representantes nos colegiados já existentes”.