O deputado estadual Douglas Garcia (PSL) foi recebido pelo reitor Vahan Agopyan nesta segunda-feira (27/9). Ao final da conversa, anunciou em sua conta na rede social Twitter: “Acabei de me reunir com o reitor da USP e entreguei em suas mãos todas as denúncias de perseguição aos estudantes conservadores. Ele me deu sinal verde para iniciar, através do meu mandato, um trabalho de combate à Intolerância Política dentro da Cidade Universitária!”. O post indignou o movimento estudantil, que promete reagir à intromissão do parlamentar de extrema-direita.

Em 29 de outubro de 2018, já eleito para seu mandato com quase 75 mil votos, Garcia protagonizou um histórico fiasco no campus do Butantã, ao não conseguir reunir mais que duas dezenas de manifestantes para comemorar a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, ocorrida na véspera. Na mesma data e local, uma manifestação antifascista contou com cerca de mil estudantes, e Garcia deixou a USP escoltado pela Polícia Militar.

Já naquele momento o discurso de Garcia e outros organizadores bolsonaristas da frustrada celebração era de que buscavam “atender ao chamado de estudantes da universidade que se sentiriam ‘perseguidos’ por ser de direita e gostariam de denunciar a ‘doutrinação ideológica de esquerda’ na USP”, segundo relatou o Informativo Adusp.

Em agosto de 2019, o deputado do PSL voltou à carga e apresentou requerimento na Assembleia Legislativa para que a USP apresentasse a lista de todas as atividades realizadas no primeiro semestre do ano e prestasse informações sobre as entidades estudantis ou grupos responsáveis por cada uma delas, alegando que “inúmeras reclamações têm sido feitas quanto a destinação de espaço e despesas para fins questionáveis”. Suplente na CPI das Universidades, numa das sessões chegou a questionar Vahan a respeito do assunto.

Garcia também é autor de um dossiê de quase mil páginas que expôs publicamente dados de centenas de opositores do governo Bolsonaro. Por essa razão, tornou-se réu em ação judicial movida pelo Ministério Público (MP-SP). Em agosto último, o juiz Márcio Teixeira Laranjo, da 21ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, considerou que a divulgação de dados pessoais sem autorização causa nas vítimas “lesão imaterial, coletiva e individual, pelo desrespeito à honra e respeitabilidade à vida” e condenou o parlamentar a indenizar todas as pessoas citadas no dossiê.

O Informativo Adusp indagou à Reitoria, por intermédio da Assessoria de Imprensa da USP, se o reitor confirma ter dado “sinal verde” para o alegado “trabalho de combate à intolerância política” que o deputado pretende fazer. Mas, até o momento em que fechamos esta matéria, a Reitoria não se pronunciou.

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