Terminou a controvérsia sobre as instalações em construção no câmpus de Ribeirão Preto da USP, supostamente destinadas à Guarda Universitária. Nesta quinta-feira (9/12), a edificação apareceu devidamente identificada com o nome da Polícia Militar (PM-SP), ao lado das cores e marcas distintivas dessa corporação que já estavam pintadas no prédio. Esse desfecho revela que tanto a Reitoria como o prefeito do câmpus e o presidente do Conselho Gestor mentiram sobre o fato, porque sempre negaram que o local viesse a ser destinado à PM.

Sintusp

Depois, plástico preto para encobrir o painel

Na reunião virtual do Conselho Gestor realizada na véspera (8/12), embora não tenha atendido o pedido de colocar em pauta o tema da possível instalação de uma base da PM dentro do câmpus, o presidente do colegiado, professor André Lucirton Costa, diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP), abriu espaço para que o assunto fosse debatido.  

“Apesar das evidências apresentadas, como a fachada do prédio supostamente destinado à Guarda Universitária já pintada no mesmo padrão das instalações da PM e a preparação de blindagem típica de instalações militares, tanto Lucirton como o prefeito do campus, Sérgio Albuquerque, enfatizaram que não existe qualquer acordo firmado com a PM e que qualquer cessão de espaço na USP de Ribeirão Preto tem que passar pelo Conselho Gestor. Por esse motivo, alegaram, o assunto não precisaria ser debatido nesse momento”, relataram nas redes sociais Luis Ribeiro e Samuel Filipini, representantes dos(as) funcionários(as) técnico-administrativos(as) nesse colegiado e diretores do Sintusp.

De acordo com os sindicalistas, Lucirton e Albuquerque sustentaram que a construção no local foi projetada e aprovada pelos membros do Conselho Gestor em 2012 para ser uma base avançada da Guarda Universitária e que depois disso nada foi modificado oficialmente. “Alguns membros do conselho anteciparam opiniões pessoais e defenderam a presença da PM no câmpus. Por outro lado, os representantes dos estudantes aproveitaram para reiterar a contrariedade a uma base da PM no câmpus e ainda lembraram que policiais em exercício, fardados, têm feito refeições no restaurante central, causando desconforto entre os frequentadores acadêmicos. Citaram as recentes violências praticadas pela PM no Conjunto Residencial (Crusp) da Cidade Universitária do Butantã, na capital”.

Nessa mesma reunião, o professor Luiz Jorge Pedrão, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), expressou posição contrária à base da PM. “O professor Sérgio Albuquerque apresentou documentação do ano de 2012, ano de aprovação do processo de construção da Base Avançada da Guarda Universitária, mostrando a inexistência de acordo com a Polícia Militar. Assim, minha fala foi no sentido de deixar muito claro que qualquer cessão de espaço no câmpus tem que passar, realmente, por apreciação e aprovação do Conselho Gestor”, explicou Pedrão ao Informativo Adusp.

“Destaquei a minha total confiança na Guarda Universitária e que a segurança do câmpus deve ser feita exclusivamente por ela, falei da sua tradição e competência, pois bem treinada e equipada dispensa a presença da Polícia Militar. Finalmente, coloquei que achava muito estranho a fachada da Base Avançada da Guarda Universitária ter sido pintada no mesmo padrão das instalações da Polícia Militar, que isso deveria ser esclarecido”.

Desde março circulavam insistentes rumores de que a base em construção se destinava à PM. O Sintusp divulgou que “os estudantes receberam de diversas fontes, inclusive associação de moradores, a informação de que na verdade ali vai funcionar uma base da Polícia Militar”, reportou o Informativo Adusp. No dia 5/3 o reitor Vahan Agopyan esteve no câmpus de Ribeirão Preto para participar da ampliação do Parque Tecnológico, em atividade conjunta com a Prefeitura Municipal. Na ocasião, avistou-se com oficiais da PM. No entanto, quando consultada pelo Informativo Adusp por meio de sua assessoria de imprensa, a Reitoria negou a criação de uma base da PM naquele câmpus.

No dia 9/12, os diretores do Sintusp divulgaram nova mensagem, que inclui uma fotografia do prédio já pintado com o nome da PM. “Então, ainda vão negar a base da PM na USP?”, questionaram. “Menos de 24 horas depois de o Presidente do Conselho Gestor e o Prefeito do Câmpus afirmarem que ainda não existe nenhum convênio para instalação de base da PM e que nenhum imóvel seria ocupado sem passar pelo Conselho Gestor... ai está!

“Explica aí, Prof. Sérgio? Explica aí, Prof. André?”.

Ofício encaminhado pela Diretoria da Adusp em 25/11 ao superintendente de Prevenção e Proteção Universitária, José Antonio Visintin, continua sem resposta. O documento, assinado pela presidenta da Adusp, professora Michele Schultz, e pela diretora regional de Ribeirão Preto, professora Patrícia Ferreira Monticelli, solicita a Visintin “que nos informe a destinação do prédio, em fase de acabamento, localizado em frente ao Refeitório Central do Câmpus da USP de Ribeirão Preto”.

Em anexo ao ofício, foram encaminhadas ao superintendente cópias de documentos anteriores, protocolados na Prefeitura daquele câmpus nos dias 5/3, 30/3 e 18/11 deste ano, nos quais os signatários pedem idênticos esclarecimentos, “sendo que até a presente data não logramos êxito em obter resposta”.

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