Nesta sexta-feira (18/3), as trabalhadoras e os trabalhadores do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC-USP) decidiram manifestar seu protesto contra o processo em curso de extinção da unidade após pretensa incorporação pelo futuro Hospital das Clínicas de Bauru (HCB), e paralisaram suas atividades por um dia para discutir a situação, realizando uma assembleia na entrada do chamado “prédio 2”.

Também realizaram um emocionante “abraço” no HRAC, com a participação de mães de pacientes, nos moldes do que foi realizado, anos atrás, no Hospital Universitário (HU), na Cidade Universitária do Butantã. A mobilização da equipe de profissionais do Centrinho e de familiares de pacientes chamou a atenção da mídia local.

O HCB será gerido por uma “organização social de saúde” (OSS), conforme chamamento público lançado pelo governo estadual. As OSS são grupos empresariais privados que têm como finalidade principal o lucro, embora formalmente sejam declaradas “sem fins lucrativos”. Duas fundações privadas ditas “de apoio” à USP, que se qualificaram como OSS, inscreveram-se no chamamento: a Fundação Faculdade de Medicina (FFM) e a Faepa, que já controlam o HC de São Paulo e o HC de Ribeirão Preto.

“Hoje o Centrinho parou. Parou para mostrar aos gestores da USP que esse hospital é uma potência, tem alma e que existe uma legião de lutadores apaixonados pelo que fazem. Por mais de uma hora diversos trabalhadores utilizaram o microfone para denunciar os prejuízos que uma organização social trará à prestação da assistência à saúde à milhares de pacientes”, declarou ao Informativo Adusp o técnico de documentação e informação Ricardo Pimentel Nogueira, funcionário do HRAC e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

“Hoje com quase 60 mil pacientes ativos, esse hospital (único no mundo em seu atendimento multidisciplinar) rechaça a farsa construída em 2014 por Cidinha e Sebastião”, afirmou em referência à ex-superintendente do HRAC, ex-diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e ex-pró-reitora Maria Aparecida Machado, e ao ex-superintendente do hospital (e ex-coordenador do curso de Medicina da FOB) José Sebastião dos Santos.

“Trabalhadores e pacientes aguardavam o professor Carlos [Ferreira dos Santos, atual superintendente] prestar esclarecimentos e queriam lhe pedir mais uma vez que voltasse atrás nesse projeto destrutivo que privilegia interesses do capital em detrimento do povo que tanto necessita do tratamento humanizado e de excelência que aqui é prestado. Agora resta ao reitor que se esclareça sobre as inconformidades cometidas na famigerada reunião do CO de 2014 e que reverta a situação, mantendo o Centrinho na USP”, conclui referindo-se à reunião que aprovou a desvinculação do HRAC.

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