A Reitoria anunciou na última reunião do Conselho Universitário (Co), no dia 29/3, que a USP deve contratar 400 servidora(e)s técnico-administrativa(o)s em 2023 e 2024. De acordo com o plano apresentado pelo professor João Maurício Gama Boaventura, coordenador da Coordenadoria de Administração Geral (Codage), serão duzentas contratações por ano. O reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior disse na reunião que deve ser formada uma comissão para estudar a distribuição das vagas nas unidades.

Além de não iniciar a contratação de servidora(e)s ainda em 2022, o plano anunciado pela Reitoria também não prevê a recomposição do quadro de profissionais do Hospital Universitário (HU) da USP, perspectiva recebida como “uma ducha de água fria” pelo Coletivo Butantã na Luta (CBL). O movimento luta pela recuperação plena do HU desde 2014, quando teve início o desmonte perpetrado pela gestão do ex-reitor M. A. Zago.

“ Essa notícia é muito frustrante e está em completo descompasso com a expectativa do CBL e do próprio Conselho Deliberativo do HU”, diz Lester Amaral Junior, integrante da coordenação do coletivo. Amaral lembra que Carlotti defendeu a recuperação do HU tanto na campanha eleitoral quanto na reunião com representantes da comunidade do Butantã, ainda antes da posse.

“ É verdade que o reitor não se comprometeu com números, afirmando que o quantitativo dependeria de uma análise mais detalhada da situação do hospital e da USP, mas o sentido geral das intervenções era de que haveria uma ação mais positiva em relação ao HU. Em nenhum momento houve uma sinalização contrária”, ressalta.

Conselho Deliberativo aponta necessidade de 509 profissionais para recompor quadro

Em janeiro, o Conselho Deliberativo (CD-HU) aprovou e encaminhou à Reitoria uma proposta para a contratação, por concurso público, de 509 profissionais para dar início ao processo de reestruturação e recuperação plena do hospital.

A proposta foi fechada a partir das necessidades apontadas pelos próprios setores do hospital e das projeções do Grupo de Trabalho (GT-HU) formado no âmbito do Conselho Deliberativo, com representação da Adusp, do CBL e do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

“ É difícil de compreender a escolha de não fazer uma operação mais abrangente neste ano, porque quem olha o orçamento da USP vê que a universidade está num momento em certa medida confortável”, aponta o coordenador do CBL.

O número anunciado de 400 contratações – para todo universo da USP – fica portanto a anos-luz das necessidades específicas do HU. Lester Amaral Junior avalia como “muito preocupante” desconsiderar uma proposição referendada pelo peso do CD-HU.

A situação é agravada porque, sem novos recursos humanos, o cenário do hospital pode piorar neste ano, numa reversão total da expectativa de um início de recuperação. A razão disso é que dezenas de profissionais contratada(o)s de forma temporária em processos seletivos simplificados terão seu vínculo encerrado ao longo de 2022 e não poderão ser recontratada(o)s devido à cláusula de duzentena dos editais. Ou seja, em lugar de assistir ao começo da recomposição de seu quadro, o HU pode ter uma diminuição do número de profissionais, com reflexos inevitáveis na qualidade do atendimento.

Há mais de um mês, o CBL encaminhou um ofício à Reitoria solicitando, em caráter de urgência, uma audiência com o reitor “para tratar da plena e definitiva recuperação” do hospital. Até o momento o ofício não teve resposta. O movimento vai reiterar o pedido nos próximos dias para discutir alternativas com o reitor.

A insuficiência da contratação de funcionária(o)s foi apontada pela representação da(o)s servidora(e)s técnico-administrativa(o)s já na reunião do Co. Bárbara Della Torre, servidora do HU, lembrou a necessidade de 509 profissionais apenas para o hospital, conforme a proposta aprovada pelo CD-HU. Já Reinaldo de Souza, integrante da Diretoria do Sintusp, ressaltou que desde a gestão Zago a USP perdeu cerca de 4 mil trabalhadora(e)s por demissão, aposentadoria e falecimentos.

Em relação aos e às docentes, o plano apresentado pela Reitoria prevê a contratação de 876 professora(e)s, número que a gestão Carlotti considera necessário para repor o quadro docente de 2014. Na avaliação da Adusp, a perda no período chega a 996 docentes, e portanto o quadro não será inteiramente recomposto.

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