Nesta segunda-feira 13/6 serão retomados os protestos dos estudantes da USP na capital por moradia estudantil. Já foram realizados três atos reivindicando mais vagas no Conjunto Residencial (Crusp) e pagamento do auxílio financeiro em dia, além de reajuste do valor. O ato desta segunda será às 18 horas, no vão da História, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
 
“A situação toda está bem grave, há um abandono e desamparo por parte da USP em relação a estudantes pobres na Universidade. Nós começamos a fazer os atos, sendo que o primeiro travou o P1”, relata Agnes de Oliveira Costa, estudante de pós-graduação da FFLCH. “Muitos estudantes vieram das periferias ou de outros estados. Mesmo conseguindo vagas no Crusp ‘burocraticamente’, a maioria das vagas existentes já está ocupada, porque há um problema real de falta de vagas no Crusp, que se agravou com a reforma do bloco D. Muita gente estava batendo de porta em porta há meses e não encontrando vaga”.
 
Para quem não conseguiu a vaga, a SAS concede um auxílio financeiro, que é insuficiente para custear moradia em São Paulo. “E aí chegou maio, e nem o auxílio foi pago pela SAS. Tivemos relatos de um estudante negro, vindo do Ceará, dormindo na cozinha do Crusp por não ter recebido o auxílio; estudante dormindo em casa de amigos ou parentes de amigos; estudantes que chegaram na USP sem ter para onde ir e gente que, nessa situação, acabou desistindo da Universidade. Em sua maioria, são estudantes pobres e negros”, diz Agnes.
 
Nesse contexto, começaram a ser chamados outros atos para o pagamento dos auxílios financeiros, reajuste do valor para R$ 800 e por mais vaga na moradia. Além disso, ingressantes que estavam sem um teto para morar começaram a reocupar o Bloco D, que está com a reforma paralisada. “Mas há relatos de ameaça: estudantes ingressantes estão sendo chamados de ‘invasores’ pela SAS. A SAS cortou energia do sexto andar do bloco e água de alguns apartamentos. Todo dia há funcionário averiguando quem está no bloco e intimidando. Em resumo, a SAS está realizando ações para expulsar esses estudantes e desempenhando um verdadeiro papel de desassistência social quando se trata de estudantes pobres, negros, vindos da periferia e de outros Estados”, afirma a pós-graduanda.
 
“Também estamos reivindicando a devolução imediata dos blocos K e L para moradia e a ampliação efetiva de vagas. A demanda é muito grande, principalmente com a ampliação das cotas, e o que está acontecendo é cruel e um crime. A USP está literalmente deixando estudantes sem teto e negando com isso o direito ao ensino”.