Fotos: Lázaro Mendes/Imprensa Andes

Projeto Marujada Mirim se apresenta na abertura do Conad

 

Michele Schultz, presidenta da Adusp, foi uma das
delegadas da entidade

 

Conad atualizou plano de lutas do Andes-SN

 

Encontro debateu conjuntura e temas como retorno presencial

 

Uma moção de apoio à carta aberta assinada por docentes negras e negros da USP, com reivindicações de implementação por parte da Reitoria de ações afirmativas para ingresso de negras e negros nos concursos públicos e sua progressão na carreira docente, esteve entre as moções aprovadas no 65º Conad do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN).
 
O encontro ocorreu de 15 a 17/7 na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em Vitória da Conquista, e foi sediado pela Associação Docente da Uesb (Adusb), cujo trabalho na organização foi bastante reconhecido.
 
Também foram aprovadas, entre outras, moções que expressaram pesar e repúdio pelo assassinato de Bruno Pereira Araújo e Dom Philips, pelo brutal assassinato de companheiro Marcelo Arruda e solidariedade a seus familiares, amigos e amigas; solidariedade à professora Elizabeth Sara Lewis, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio); apoio à campanha Paz nas Eleições; à luta e à resistência dos povos originários Guarani e Kaiowá, no território Guapo'y Mirim-Tujury (MS); e repúdio à cassação do vereador Renato Freitas (PT) pela Câmara Municipal de Curitiba.
 
No último dia do encontro, relata o site da entidade, a secretária-geral do Andes-SN, Regina Ávila, realizou a leitura da Carta de Vitória da Conquista, documento político que resume os debates do 65º Conad.
 
“Foram três dias de intensos debates em plenárias e grupos mistos, como preza nosso histórico método de deliberar as ações do sindicato pela base. Atualizamos a análise de conjuntura e o Plano Geral de Lutas reafirmando o compromisso do Andes-SN em defesa da Educação Pública, Gratuita, Laica e Socialmente referenciada”, diz a carta.
 
“Na análise de conjuntura, em âmbito nacional, destacou-se a violência política, os ataques à Educação e aos direitos sociais e trabalhistas. Reafirmamos a necessidade de construção da unidade na luta para enfrentar o bolsonarismo nas ruas e nas urnas”, prossegue o documento. “No Plano Geral de Lutas apontamos os imensos desafios em organizar a reação contra a privatização da Educação, os cortes orçamentários, o Reuni Digital, o retorno presencial sem as condições sanitárias e de ensino e aprendizado adequadas, e a defesa da liberdade de cátedra.”
 
A carta destaca ainda que a categoria docente tem “o desafio de derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo, que representam o retrocesso político e civilizatório que o país atravessa”. “Com unidade e firmeza em nossos princípios, venceremos essa etapa e continuaremos a realizar o projeto histórico de educação emancipadora que há 41 anos nosso sindicato tem construído. Nem um passo atrás, nossa luta é por uma sociedade anticapitalista, antimachista, antiLGBTQIAP+ fóbica e anticapacitista”, defende o documento.

“É fundamental enfrentar o bolsonarismo”, defende presidenta do sindicato

O tema central do Conad foi retorno presencial com condições de trabalho e políticas de permanência para fortalecer a luta por Educação Pública e liberdades democráticas.
 
Na abertura do encontro, a música do projeto Marujada Mirim, do Beco de Dôla, formado por crianças e adolescentes, animou a(o)s participantes com sua batucada e alegria contagiantes. Os instrumentos utilizados pelo grupo são feitos de materiais reciclados pelo projeto, que tem como propostas a transformação social através da arte e valorização da herança cultural do povo negro.
 
Ainda na abertura do encontro, foi lançado o número 70 da revista Universidade e Sociedade, publicação semestral do sindicato. Luiz Henrique Blume, 3º secretário do Andes-SN e membro do conselho editorial, ressaltou o tema central da publicação – retorno presencial e pandemia: desafios do trabalho docente no contexto das transformações educacionais. A revista presta homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922 e ao poeta amazonense Thiago de Mello, falecido no início deste ano.
 
“Saímos daqui fortalecidas e fortalecidos para os enfrentamentos, para fazer a luta necessária. Saímos reafirmando o sindicato, os seus princípios e a concepção de classes, de uma classe que tem raça, gênero e orientação sexual e que certamente passa por processos de exploração diferenciados dentro da sociabilidade do capital”, afirmou no encerramento a presidenta do sindicato nacional, Rivânia Moura.
 
“Como foi apontado na nossa carta, saímos com a atualização do nosso plano de lutas e a conclusão do debate que iniciamos no 40º Congresso. Tínhamos um enorme desafio e fizemos esse esforço coletivo. Vamos sair daqui também certamente fortalecendo o nosso grito de ‘Fora Bolsonaro’ nas urnas e nas ruas, porque sabemos que é fundamental enfrentar o bolsonarismo que está instaurado na nossa sociedade”, ressaltou.
 
O Conad aprovou a continuidade da luta em defesa da política de cotas raciais, incluindo as cotas na pós-graduação e concursos públicos, e a ampliação do debate sobre a construção das comissões de heteroidentificação.
 
(Com informações do Andes-SN)
 
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