O GT Diversidades da Adusp e o Grupo de Docentes Negros e Negras da USP promovem no dia 23/8 o seminário “Ações afirmativas na docência da USP: um caminho possível”.

O seminário ocorrerá às 17h, na sala 24 do prédio das Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O encontro procura ampliar a discussão sobre reserva de vagas para docentes negros e negras no momento em que a USP prevê a contratação de 876 docentes até o final da gestão Carlotti-M. Arminda, em 2025.

A mesa será composta por Marcelo Pinto da Silva, pró-reitor de Ações Afirmativas da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e Luciana de Oliveira Dias, professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG), da qual é a atual secretária de Inclusão.

A mediação do debate ficará a cargo do professor Celso Eduardo Lins de Oliveira, 2o vice-presidente da Adusp.

“É muito importante que a USP, na condição de maior universidade do Brasil e uma das mais importantes da América Latina, discuta ações afirmativas em seu quadro docente”, disse Marcelo Pinto da Silva ao Informativo Adusp.

Na avaliação do professor, ao promover esse debate a USP vai contribuir para que outras universidades também entendam a importância de adotar ações afirmativas “e de projetar políticas que promovam cada vez mais a inclusão e a diminuição da desigualdade nas oportunidades de acesso tanto à universidade quanto a outras áreas”.

“É necessário pensar ações afirmativas não de forma localizada ou pontual, mas sim de maneira contínua e transversalizada em todas as práticas institucionais da universidade”, defende.

Alunado já é mais diverso, e está na hora de mudar também o quadro docente, defende professora

A professora Luciana Dias ressaltou ao Informativo Adusp que a sociedade brasileira ainda está ancorada no racismo estrutural, uma vez que “a base que sustenta as relações sociais é discriminatória”. “A discriminação, que privilegia algumas raças em detrimento de outras, é o que sustenta as relações sociais”, afirma.

“A forma de combater esse racismo estrutural parte de uma atuação engajada e comprometida com ações antirracistas, e as ações afirmativas assumem esse compromisso”, diz.

Essas políticas podem provocar abalos nos alicerces do racismo estrutural, defende a professora, porque “desarticulam esse ordenamento societário e inserem indivíduos pertencentes a grupos societários historicamente discriminados em espaços de tomada de decisão e de poder ainda baseados em processos discriminatórios”.

Luciana Dias lembra que as ações afirmativas vêm sendo aplicadas nas universidades públicas brasileiras desde o início dos anos 2000. A primeira experiência de adoção de recorte étnico-racial para o ingresso de aluna(o)s de graduação foi na Universidade de Brasília (UnB), em 2004.

De lá para cá, vem sendo modificado o corpo discente das instituições, com o aumento da diversidade, e também foi ampliada a possibilidade de formação de pessoas que se tornaram habilitadas a ocupar quadros mais elevados.

“As ações afirmativas devem acontecer em todos os níveis. Para que a gente adote uma postura radicalmente antirracista, única possibilidade de efetivação concreta da justiça social, nosso entendimento é que chegou a hora de alterar os quadros superiores que constituem as universidades. É hora de começar a mudar também o quadro docente”, defende a professora.

É fundamental a maior presença de docentes negros e negras, considera, porque eles e elas “podem alterar estruturas curriculares, provocar mudanças de atitude e pluralizar verdadeiramente os espaços das universidades”.

De acordo com Luciana Dias, quando ocorre o ingresso dessa(e)s docentes, “temos algo muito próximo do que poderíamos chamar de mudança cultural e ação radicalmente antirracista, com potencial de abalar e problematizar o racismo que ainda estrutura as relações sociais”.

Não é necessário inscrever-se previamente para participar do evento. Não haverá transmissão online, e o debate será gravado e ficará disponível posteriormente no canal da Adusp no YouTube.

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