Finalmente realizada nesta segunda-feira (22/11), depois de ter sido adiada em razão de problemas técnicos, a consulta à comunidade universitária — que antecede a eleição da lista tríplice de candidaturas à Reitoria pelo colégio eleitoral (“Assembleia Universitária”) — apresentou resultados desfavoráveis à chapa “Somos Todos USP”, composta pela dupla Antonio Carlos Hernandes-Maria Aparecida Machado (Cidinha). Hernandes é vice-reitor licenciado e Cidinha era a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, cargo do qual se desincompatibilizou. 

A chapa “USP Viva”, Carlos Gilberto Carlotti-Maria Arminda Arruda, venceu entre docentes e estudantes e só perdeu no segmento de servidora(e)s técnico-administrativa(o)s. Ambos, da mesma forma que seus adversários na eleição, integraram a atual administração — respectivamente como pró-reitor de Pós-Graduação e coordenadora do Escritório USPMulheres.

O segmento docente foi o que apresentou a maior participação relativa na consulta (levada a cabo por meios remotos). Votaram 3.676 docentes, do total de 5.269 habilitados, o que perfaz uma participação de 69,8%. Nele a chapa “USP Viva” obteve 2.095 votos (56,99%), contra 1.369 (37,24%) dados à chapa “Somos Todos USP”. Votos nulos e em branco somaram 212 (5,76%). No segmento discente, no qual votaram apenas 6 mil dos 79.640 habilitados, portanto uma participação de 7,5%, a chapa “USP Viva” recebeu 3.198 votos (53,30%), contra 2.290 (38,16%) dados à chapa “Somos Todos USP” e 512 nulos e em branco (8,53%).

O único resultado positivo obtido por Hernandes e Cidinha foi no segmento da(o)s servidora(e)s. De 13.246 funcionário(a)s habilitado(a)s, votaram 4.067 (30,7%). A chapa “Somos Todos USP” recebeu 2.009 votos (49,39%), contra 1.653 votos (40,64%) conferidos à chapa “USP Viva”. Votos nulos e em branco somaram 405 (9,95%). Assim, mesmo onde saiu vitoriosa, a chapa Hernandes-Cidinha obteve uma vantagem menor que a conquistada por sua concorrente nos demais segmentos.

Embora meramente indicativa, porque não impacta formalmente o processo de escolha pelo colégio eleitoral restrito, a consulta pode ter reflexos políticos, na medida em que expressa a preferência de amplos setores da comunidade que são excluídos da votação decisiva. Enquanto o universo de eleitora(e)s potenciais da  consulta chega a 98 mil pessoas, a “Assembleia Universitária” resume-se aos membros das congregações das unidades, conselhos deliberativos de museus e institutos especializados e colegiados centrais, algo em torno de 4 mil pessoas.

O caráter oligárquico e antidemocrático do processo eleitoral de reitor(a) na USP, bem como a trajetória de reitore(a)s que se elegeram no colégio eleitoral prometendo amplo diálogo, mas uma vez no poder agiram como tiranos — sendo emblemático o exemplo de M.A. Zago — reforça as desconfianças e a cautela das entidades de representação e da própria comunidade. O Sintusp, por exemplo, recomendou à categoria que se abstivesse de votar na consulta, por entendê-la como uma farsa.

Por todas essas razões, votaram na consulta somente 13.743 pessoas, ou 14% das 98.155 habilitadas a votar segundo os critérios definidos pela Reitoria. Importante ainda reiterar que a “Assembleia Universitária”, ao votar nesta quinta-feira 25/11, não elegerá o reitor (e respectivas vices), mas apenas definirá a posição das chapas concorrentes numa lista (que normalmente é tríplice), cabendo a decisão final ao governador João Doria (PSDB).

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