A nova gestão da USP, que assumiu no último dia 26/1, recebeu representantes da(o)s servidora(e)s técnico-administrativa(o)s e do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), porém ainda não agendou encontro com a Diretoria da Adusp, apesar de a entidade já ter encaminhado solicitação formal nesse sentido.

No dia 28/1, a Diretoria da entidade enviou ofício ao reitor, Carlos Gilberto Carlotti Junior, e à vice-reitora, Maria Arminda do Nascimento Arruda, manifestando congratulações pela posse e o desejo de que a nova gestão faça “uma administração pautada em preceitos democráticos, em defesa da universidade pública e gratuita, respeitando e valorizando as pessoas que a constroem cotidianamente”.

Lembrando o compromisso assumido em reunião com a Diretoria da entidade em novembro do ano passado, durante a campanha eleitoral, a Adusp reforça que espera “encontrar mais espaço ao diálogo, em respeito à entidade representativa da categoria docente”.

“Nesse sentido, gostaríamos de solicitar uma reunião com a Reitoria para tratarmos de assuntos pendentes e pensarmos conjuntamente como praticaremos o diálogo durante sua gestão”, finaliza o ofício.

Na reunião com diretora(e)s do Sintusp, no dia 9/2, Carlotti enfatizou que pretende fazer uma gestão baseada no diálogo constante com todos os segmentos da universidade, incluindo as entidades representativas dos setores.

O encontro discutiu vários temas, como as recentes medidas anunciadas pela Reitoria em relação à pandemia, apresentadas em comunicado emitido no último dia 1º/2, incluindo a possibilidade de que pessoas com sintomas gripais se afastem temporariamente do trabalho presencial mediante autodeclaração, sem necessidade de atestado médico.

No tocante a casos específicos apresentados pelo sindicato, o reitor defendeu que a(o)s dirigentes é que têm condições de avaliar quais são as necessidades e as caraterísticas do trabalho considerado essencial em cada unidade, mas se comprometeu a analisar a eventual adoção de procedimentos uniformes.

A Diretoria do Sintusp também entregou ao reitor uma carta com reivindicações da(o)s trabalhadora(e)s do Hospital das Clínicas de Bauru, ex-HRAC, para o qual já há processo de chamamento público para a escolha da entidade privada que vai fazer a gestão do novo hospital.

Carlotti reconheceu a excelência do HRAC, conhecido como “Centrinho”, e ressaltou que é preciso manter a qualidade dos serviços no novo hospital, afirmando ainda que é muito difícil reverter a entrada de uma “organização social de saúde” (OSS) privada para geri-lo.

Situação da(o)s trabalhadora(e)s do Bandejão permanece indefinida

Um ponto importante discutido na reunião foi a situação da(o)s trabalhadora(e)s do Bandejão central, em paralisação desde o dia 12/1 por conta do alto índice de contaminação por Covid-19. À época, 16 da(o)s 50 funcionária(o)s do local haviam tido diagnóstico recente para a doença.

O reitor comprometeu-se a marcar uma reunião do sindicato com a Comissão Permanente de Relações do Trabalho (Copert), o que de fato ocorreu na última sexta-feira (18/2). Entretanto, de acordo com o relato divulgado pelo Boletim do Sintusp nesta segunda-feira (21/2), o resultado desse encontro foi frustrante, pois tanto o professor Wilson Aparecido Costa de Amorim, diretor-geral do Departamento de Recursos Humanos (DRH), quanto os representantes da Procuradoria-Geral da USP pediram que a(o)s trabalhadora(e)s apresentassem suas reivindicações — que têm sido manifestadas publicamente e por meio da entrega de ofícios à Reitoria há mais de um mês.

A representação da(o)s trabalhadora(e)s registrou sua indignação com o questionamento e voltou a expor as demandas: que a(o)s trabalhadora(e)s possam permanecer em domicílio até o início das aulas do semestre, em 14/3; que até lá a(o)s moradora(e)s do Conjunto Residencial da USP (Crusp) que necessitem de alimentação continuem recebendo marmitas; que a administração avalie as condições sanitárias do restaurante para planejar e permitir a reabertura com garantia de segurança para funcionária(o)s e estudantes na volta às aulas.

De acordo com o Sintusp, Amorim afirmou ter finalmente entendido quais são as reivindicações e se comprometeu a encaminhá-las à administração da universidade — ou seja, levando o tema a percorrer novamente um caminho que já havia sido feito, enquanto a questão permanece sem solução.

Cruesp finalmente se reunirá com Fórum das Seis

Já no dia 15/2, o reitor recebeu a representação da(o)s trabalhadora(e)s no Conselho Universitário (Co). Na reunião, reafirmou compromissos como recomposição salarial, novas contratações e avaliação para progressão horizontal na carreira.

Conforme havia dito na reunião com a Diretoria do Sintusp, Carlotti sinalizou que haverá prioridades e que, de imediato, as contratações serão direcionadas ao Hospital Universitário (HU), à Escola de Aplicação e à Superintendência de Tecnologia da Informação (STI).

A representação da(o)s trabalhadora(e)s indagou também sobre os temas da pauta da data-base das categorias das três universidades estaduais paulistas, incluindo a reivindicação de aumento imediato de 20% e o agendamento de uma reunião entre o Cruesp e o Fórum das Seis para discutir esse e outros temas.

De acordo com o Boletim do Sintusp publicado no último dia 16/2, o reitor comentou que já fez duas reuniões com seus colegas da Unesp e da Unicamp e que vê boas perspectivas em termos de reajuste, mas que não adiantaria detalhes, os quais serão tratados em encontro para negociação conjunta.

A reunião entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis deve ocorrer no próximo dia 7/3, conforme e-mail enviado no dia 21/02. O Fórum das Seis enviou ofício ao reitor da USP, atual presidente do Cruesp, assim que tomou posse. O ofício pedia reunião ainda em janeiro para tratar da reivindicação de reajuste de 20% imediatos e o restante a ser negociado dentro de um plano de recomposição que remeta ao poder de compra de 2012.

Democracia e militarização

A representação da(o)s funcionária(o)s no Co fez questão de destacar que os colegiados da universidade são bastante antidemocráticos, especialmente quanto à presença de servidora(e)s técnico-administrativa(o)s. No caso do Co, são apenas três entre mais de 120 membros.

Em relação a eventuais mudanças na composição do Co, o reitor ressaltou que a única proposta que deve ser encaminhada neste ano é a incorporação de um(a) representante por museu e instituto especializado. Ressaltou também que a(o)s conselheira(o)s podem apresentar propostas no Co para aumento da representação.

A(o)s trabalhadora(e)s também criticaram a crescente militarização na universidade, com bases da PM sendo instaladas nos campi. Carlotti concordou que há exageros no tratamento de temas de segurança, como a instalação das grades ao redor da Reitoria — mais um legado negativo da gestão M.A.Zago-V.Agopyan.