O ato em frente à Reitoria da USP na tarde de 22/3, contra as medidas tomadas pela administração superior, foi marcado pela presença não só de estudantes, funcionários e professores, mas também de muitos moradores das comunidades São Remo e Carmine Lourenço, vizinhas do campus Butantã, que correm o risco de ser despejados de suas casas, caso seja levado adiante o plano de “reurbanização” anunciado por Rodas.

Daniel Garcia

Em solidariedade aos moradores das comunidades no entorno da USP, também compareceram ao ato os moradores da ocupação Novo Pinheirinho, de Embu das Artes. Estiveram lá, ainda, Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, Dirceu Travesso (CSP-Conlutas) e o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL).

Durante cerca de duas horas, os manifestantes reivindicaram a revisão de diversas medidas antidemocráticas do reitor, que atingem todos os setores da comunidade. Agora, além dos estudantes, funcionários e professores que sofrem processos disciplinares e medidas judiciais por se manifestarem politicamente, João Grandino Rodas desagrada também os populares que moram no entorno da Cidade Universitária.

Os representantes da Associação de Moradores da São Remo acreditam que, com o plano de reurbanização, diversos moradores serão despejados de suas casas. Edivaldo dos Santos conta que a associação já tentou dialogar e que a Reitoria marcou uma reunião, na qual esteve representada pelos professores Alberto Carlos Amadio, chefe de Gabinete da Reitoria, e Wanderley Messias da Costa , superintendente de Relações Institucionais da USP. “Na reunião com o Amadio fizeram promessas, não cumpridas, de que os terrenos não iam passar para o Estado sem nos comunicar. No ofício encaminhado à comunidade não há nenhuma garantia de que teremos nossas moradias”, diz Edivaldo. A associação enviou um ofício com algumas questões sobre o plano de reurbanização, porém os responsáveis não souberam responder à comunidade.

Discriminados

Outra medida muito questionada foi a criação do BUSP. O novo bilhete de transporte, destinado aos estudantes e funcionários da USP, garante acesso gratuito ao ônibus circular, que agora chega até o metrô Butantã; não atende, porém, aos funcionários das empresas terceirizadas. Muitos desses trabalhadores utilizavam o circular gratuito e agora temem ter de passar a caminhar até seus postos de trabalho diariamente, já que a maioria não recebe vale-transporte. “Cerca de 80% dos trabalhadores de empresas  terceirizadas na USP são moradores da São Remo. São discriminados: não têm direito ao restaurante universitário e agora nem ao circular”, comentou Marcello dos Santos (Pablito), do Sintusp. 

O professor Henrique Carneiro, que também participou do ato, chamou a atenção para a necessidade de unificar as diversas pautas contra o reitor João Grandino Rodas. “Na última semana tivemos um ato com cerca de 500 pessoas das quais a maioria era de estudantes. Hoje temos um ato, novamente com cerca de 500 pessoas das quais a maioria é de trabalhadores. Temos que unificar os setores para multiplicar nossa capacidade de pressionar o reitor”.

 

Informativo nº 342