Na USP, as discussões sobre o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (Pimesp), anunciado em 2012 pelo governador Alckmin, já têm período para começar e terminar. No dia 6/2, os diretores de unidades receberam comunicado da Reitoria a respeito da proposta que prevê, até 2016, a reserva de 50% de vagas (com recorte racial segundo a composição étnica do Estado) para o ingresso de alunos de escolas públicas na USP, Unesp e Unicamp.

Na mensagem, a Reitoria orienta que a proposta seja discutida nas unidades e que no prazo de 60 dias os diretores encaminhem à Reitoria as respectivas manifestações com comentários e sugestões sobre o assunto. “As contribuições recebidas das Unidades/Órgãos da USP servirão de subsídios para a posterior tramitação da proposta nos Órgãos Colegiados da Universidade”, diz o texto.

Os diretores também receberam a íntegra da proposta e dados sobre o acesso ao ensino superior no Brasil. “No Estado de São Paulo, 76% dos matriculados no ensino superior público são brancos, mas apenas 9% desses pertencem aos 20% mais pobres”, mostra o documento. No primeiro ano em que o Pimesp estiver em vigor, estima-se que venham a ingressar na USP 1.108 alunos de escolas públicas (desses, 637  autodeclarados negros, pardos e indígenas). No mesmo período, a previsão de gastos com bolsas de permanência é de R$ 4 milhões.

Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação, propõe que as discussões incluam funcionários, alunos e professores. “Os três segmentos têm que ser ouvidos sobre o documento, que é bem complexo. [Na Faculdade de Educação] o material vai ser discutido de maneira geral, porque isso é o compromisso que tínhamos com a questão das cotas, de ampliar esse debates. Estamos recebendo este documento e temos que ler com atenção”, disse ao Informativo Adusp.

Informativo nº 357