Estudantes do Instituto de Física (IF-USP) — entre os quais os integrantes da direção de sua enti­dade representativa, o Centro de Estudos de Física e Matemática (Cefisma) — estão sofrendo perseguição e retaliações devido à greve estudantil deflagrada em maio deste ano.

Enquanto parte do corpo docente da unidade tentou estabelecer diálogo com os estudantes, para que o semestre fosse concluído sem conflitos, um pequeno grupo de professores solici­tou a abertura de nada menos do que 72 sindicâncias contra 33 estudantes, incluindo dirigentes do Cefisma. As sindicâncias podem resultar em processos administrativos disciplinares no âmbito da Procuradoria Geral (PG-USP).

“Por determinação do diretor, foi instaurada uma única sindicância cujo objetivo seria apenas apurar as supostas infrações e abusos cometidos, por ambos os lados, no período de greve. Entretanto, não é isso que está ocorrendo: antes mesmo de sermos noti­fi­cados, a Comissão Sindicante convocou os docentes para prestar depoimento e, com base em seus discursos, vem interrogando os estudantes de forma dura e tendenciosa”, explica, em nota, o Cefisma.

“Ao invés de serem ouvidas nossas queixas, os estudantes têm sido compelidos tão somente a se justificar frente às acusações, feitas anteriormente pelo grupo minoritário de professores. Muitas vezes a própria Comissão defende os docentes, tentando justificar atitudes e minimizar as agressões cometidas por eles”.

“Membros externos”

O diretor do IF, professor Marcos Nogueira Martins, declarou ao Informativo Adusp não saber se tais denúncias procedem ou não, “pois não acompanho o trabalho da comissão”, que deve ser independente da direção da unida­de._“Fo­ram apresentados pedidos de aber­tura de processos disciplinares contra estudantes (por professores) e contra professores (por estudantes). Os pedidos todos foram enviados à PG, que nos instruiu a abrir um processo sindi­can­te englobando todas as quei­xas. Portanto trata-se de apenas um processo sindicante, composto por membros externos ao IF (um professor da Poli, um do IGc e um funcionário do IO)”.

Acrescenta: “O ‘comando de greve’, segundo os próprios estudantes, era composto por mais de uma centena de estudantes, talvez seja por isso que tantos estudantes estejam sendo ouvidos. Mas não sei ao certo, pois não participo (nem acompanho) os trabalhos da comissão”.

Informativo nº 430