O documentário longa-metragem “Codinome Clemente”, sobre a trajetória do guerrilheiro Carlos Eugênio Paz, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), a maior das organizações de resistência armada à Ditadura Militar, será objeto de debate em atividade aberta ao público da disciplina “Sociologia e Extensão”, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), nesta quinta-feira (24/3) à tarde.

O filme, que vem sendo alvo de boicote do governo Bolsonaro, será exibido às 14 horas, em sala virtual (confira aqui o link). O debate terá início às 16 horas, com a participação da diretora Isa Albuquerque, da historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro e dos professores Adalmir Leonídio e Antonio Almeida, ambos da Esalq. A atividade é apoiada pelo Laboratório de Comunicação e Ambiente da Esalq e pela Adusp Regional.

Os dois principais dirigentes da ALN, o ex-deputado federal Carlos Marighella e o jornalista Joaquim Câmara Ferreira, foram assassinados pela Ditadura Militar. Guerrilheiros e guerrilheiras do grupo foram presos e torturados, e muitos executados. Porém, os órgãos de repressão política nunca conseguiram capturar Carlos Eugênio, ou “Clemente”, que sempre soube escapar da perseguição. No documentário, ele atribui esse feito à rede de proteção de camaradas de clandestinidade.

“Clemente foi um ícone de sua geração e merece seu lugar entre os protagonistas históricos, apesar de nem sempre ter sido compreendido. Através desta cinebiografia é possível compreender esse período tão conturbado da história recente”, diz a cineasta Isa Albuquerque.

O guerrilheiro faleceu em 29/6/2019, em razão de um câncer de laringe. Até o fim da vida, ele definiu-se como um revolucionário: “A vida valeu porque a luta valeu a pena”, escreveu no prefácio do livro Nas Trilhas da ALN.