A ouvidora geral da USP, professora Marilia Cerqueira Leite Seelaender, agradeceu “a gentileza da elaboração e encaminhamento”, em cópia, do ofício que a Adusp enviou no dia 4/7 ao diretor do Instituto de Biociências (IB), Marcos Buckeridge.

O ofício é uma resposta à mensagem que a entidade recebeu no dia 22/6 da Ouvidoria Geral da USP cobrando “esclarecimentos” sobre a razão da publicação de reportagens a respeito do convênio firmado entre o IB e a empresa Greenheart Brasil, cuja matriz fica no Canadá, para projeto envolvendo a Reserva Floresetal da unidade.

Na mesma mensagem, a ouvidora acusa o recebimento de “manifestação referente a publicações da Adusp, contendo alegações” sobre o convênio e ressalta que “a Diretoria e a Congregação do IB encaminharam detalhados esclarecimentos sobre os fatos”.

Em seu ofício, a Adusp registra o estranhamento com a cobrança, uma vez que “a Ouvidoria da USP é um canal institucional visando mediar conflitos envolvendo questões e gestão internas da Universidade”. “Por sua vez”, prossegue, “a Adusp é uma entidade sindical, de natureza privada sem fins lucrativos, autônoma e independente, que não faz parte da composição institucional da USP”. Dessa forma, quaisquer esclarecimentos poderiam ter sido solicitados “diretamente ao corpo diretivo desta entidade”.

“Em respeito às partes envolvidas”, continua o ofício, a Diretoria da Adusp encaminhou sua resposta ao IB, com cópia à Ouvidoria, para conhecimento (leia abaixo a íntegra da manifestação enviada ao diretor da unidade).

A Adusp afirma que as publicações a respeito do caso “têm caráter jornalístico e foram produzidas a partir de informações apuradas pelos profissionais responsáveis pelo Informativo Adusp”. 

“A Adusp é a entidade representativa da categoria docente e tem desempenhado importante papel no controle social das atividades realizadas na universidade. Como amplamente divulgado em todas as nossas manifestações nos espaços dos quais participamos, nossa atuação se pauta pela defesa da universidade pública, gratuita, com financiamento público adequado, de qualidade, laica e socialmente referenciada”, registra o ofício.

“Isso implica dizer que somos contra qualquer modalidade de financiamento privado para as universidades públicas. Dessa forma, não entendemos quais esclarecimentos espera a Ouvidoria, uma vez que, dentre as atribuições listadas em sua página na Internet, consta a ‘proteção do direito à informação’. Como mencionado na mensagem remetida ao professor, nosso trabalho cumpre critérios éticos e de responsabilidade, e continuaremos a nos pautar pela liberdade de expressão e manifestação garantida pela Constituição Federal”, enfatiza o texto, assinado pela presidenta da Adusp, professora Michele Schultz.

Leia a íntegra da resposta da Adusp ao diretor do IB, Marcos Buckeridge

“A Adusp, ao longo dos seus quase 46 anos, sempre defendeu o caráter público da universidade, com financiamento público suficiente para garantir salários e condições adequadas de trabalho, além da estrutura necessária para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa, cultura e extensão. 

O projeto de universidade defendido pela atual gestão e aprovado pela categoria em assembleia - o Programa da Adusp para a USP - deixa claro que somos contra modalidades privadas de financiamento, sejam elas quais forem. Nossa posição vai além do campo da legalidade, ao qual também temos questionamentos. Ela se dá principalmente no campo político e, por isso, sempre denunciamos iniciativas que são contrárias à concepção de universidade que defendemos. E continuaremos a fazê-lo.

Outro aspecto que merece destaque quanto ao convênio em questão é a democracia, ou melhor, a ausência desta. Na nossa visão, a decisão tomada ad referendum sem participação da comunidade também fere princípios que nos são caros. Batalhamos por transparência e participação nos processos decisórios e nos parece que não foi esse o caso envolvendo o convênio com a Greenheart. 

Recebemos ontem comunicado da Ouvidoria Geral da USP sobre reportagens do Informativo Adusp publicadas no nosso site. Vieram com a mensagem, em anexo, documentos com manifestações do Departamento de Ecologia e da Comissão da Reserva Florestal do IBUSP. O teor desses documentos atesta que o assunto é de interesse coletivo e que, de fato, há controvérsias no processo de estabelecimento do convênio, como devidamente apontado pelo Informativo Adusp

Portanto, nosso jornalismo continuará acompanhando o caso, dando notícias dos eventos que conseguirmos apurar, dentro da ética e responsabilidade que rege nossa atividade, e continuará a pautar-se pela liberdade de expressão e manifestação garantida pela Constituição Federal. 

Reiteramos o convite para que se pronuncie nos nossos espaços de divulgação.

 

Atenciosamente, 

Michele Schultz

Presidenta da Adusp”

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