A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba sedia na próxima semana a nona edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), organizada por entidades estudantis e sindicais da escola e que também ocorre em várias outras instituições de ensino superior do país.

Realizada desde 2013, a JURA dedica-se à reflexão e ao debate sobre a reforma agrária e conta com a participação de representantes dos movimentos sociais, em particular do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o que permite estreitar o diálogo entre universidade e sociedade em torno da bandeira da reforma agrária popular.

O mês de abril é marcado por várias atividades relacionadas à luta pela terra, em especial para lembrar o Massacre do Eldorado dos Carajás (PA), ocorrido no dia 17 de abril de 1996, que se tornou o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo.

A abertura da Jornada ocorre na segunda-feira (25/4), às 18h, no Anfiteatro do Pavilhão de Ciências Humanas da Esalq, com a exposição do livro recém-lançado Dicionário de Agroecologia e Educação e apresentação musical de Pá Moreno.

A mesa de abertura se inicia às 19h, sob o título “Democracia, Reforma Agrária e Soberania Alimentar no bicentenário da Independência do Brasil”, com a participação de Kelli Cristine de Oliveira Mafort e João Paulo Rodrigues, ambos da Direção Nacional do MST, e Plínio de Arruda Sampaio Jr., professor de economia da Unicamp. Às 20h45, após o debate, haverá entrega do Prêmio “Paulo Kageyama de Agroecologia, Universidade Pública e Democracia 2022”.

Na terça-feira (26/4), a primeira atividade tem início às 12h30, no Centro de Vivências “Luiz Hirata”, com a presença de José Carlos – que mantém no Instagram a página “O Nutri Favelado”, voltada a questões que envolvem alimentação e política –, Mayara Araújo, da Associação dos Pós-Graduandos da Esalq, e Stéfany Corrêa, da Casa do Estudante Universitário de Piracicaba, para debater Soberania e Segurança Alimentar. Na pauta, o crescimento da fome no país, a dependência econômica, a “comoditização” da agricultura e a suspensão do contrato de serviços terceirizados do Restaurante Universitário da Esalq.

Às 17h, a convidada é Sônia Guajajara, coordenadora nacional da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB), que tratará da luta dos povos indígenas, em particular do projeto do marco temporal para demarcação de terras indígenas e do Acampamento Terra Livre, que está ocorrendo em Brasília.

Luiz Hirata, estudante da Esalq assassinado na ditadura, receberá homenagens

Na quarta (27/4) e quinta-feira (28/4), o foco das atividades se dirige às homenagens a Luiz Hirata, estudante de engenharia agronômica da Esalq perseguido, preso, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1971.

Na quarta, às 18h, o Centro de Vivências receberá oficialmente o nome “Luiz Hirata”, com instalação de placa em sua homenagem. Estarão presentes seus familiares, assim como Antônio Prado de Andrade, que conviveu com Hirata na militância e é autor do livro Um tempo para não esquecer: ditadura - anos de chumbo.

Às 19h, no Centro de Vivências, ocorre o lançamento do livro Agro, ditadura e universidade: Esalq-USP e a modernização conservadora (1964 a 1985), com participação do autor, Rodrigo Sarruge Molina, professor adjunto da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Na quinta-feira, às 14h, no bloco B do Pavilhão de Economia, Administração e Sociologia, ocorrerá a Mesa sobre Memória, Verdade e Justiça, com a presença de Adriano Diogo, ex-deputado estadual e presidente da Comissão da Verdade Rubens Paiva do Estado de São Paulo, e Gabriel Teixeira, diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).

De acordo com a organização da jornada, o Brasil vive um momento em que as ameaças às liberdades democráticas, o revisionismo histórico sobre o período da ditadura militar e o relativismo para com torturadores e assassinos ligados à repressão reforçam a importância e urgência de debater e relembrar esses anos para que situações semelhantes não se repitam no país.

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