Faleceu no último dia 22/5 o professor José Juliano de Carvalho Filho, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), que os amigos e camaradas chamavam, afetuosamente, de Juca. Tinha graduação e doutorado pela própria FEA, com pós-doutorado na Universidade do Estado de Ohio (EUA), e era um incansável defensor da reforma agrária.

“Na academia, Juca atuou nas áreas de Economia Agrária e Agrícola, Reforma Agrária e Meio Ambiente e Direitos Humanos. Juca foi um importante quadro intelectual na resistência à ditadura dentro da USP e entre economistas”, registra nota de pesar publicada pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), da qual fez parte desde os anos oitenta. “Ademais, era um grande admirador das artes: cinema, teatro, música clássica. Na sua sala na USP, mantinha um rádio e era comum o aluno chegar e encontrar o Juca ouvindo música clássica na Rádio Cultura”.

Na ABRA, atuou como diretor da entidade, “participou ativamente nos estudos e debates para a construção de políticas públicas de Reforma Agrária”, foi editor da revista Reforma Agrária. “Participou de inúmeros debates de políticas econômicas regionais, estudos socioambientais e na avaliação dos assentamentos da reforma agrária, além de muitos outros temas correlatos à questão da injusta concentração da terra no país e do desrespeito aos direitos humanos no meio rural”. 

Juca foi membro do Conselho Consultivo da Rede Social de Justiça e de Direitos Humanos. “Sob coordenação de Plinio de Arruda Sampaio, Juca participou da elaboração da proposta do Plano Nacional de Reforma Agrária do primeiro governo Lula, que acabou não sendo aceita. Ainda que decepcionado com os cortes em metas propostas, jamais se recusou a dar sua colaboração para que a reforma agrária pudesse avançar no país e principalmente no Estado de São Paulo”, registra a nota da ABRA. 

O docente da FEA colaborou com trabalhos coletivos que resultaram, entre 2010 e 2013, nos Documentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de números 99 e 101, sobre “Igreja e Questão Agrária Brasileira no Início do Século XXI”, para os quais “contribuiu com várias ideias inovadoras, dentre as quais a relevante proposta do zoneamento agroecológico nos biomas brasileiros” (CNBB 99, tópico 120). 

A ABRA conclui sua nota lembrando que, apesar da tristeza pela partida de Juca, resta “imensa gratidão pelo legado que deixou, para os seus alunos e para aqueles que tiveram o prazer e a sorte de conviver com ele: exemplos, saberes, estudos e pesquisas, além de suas frases célebres”. E arremata: “Professor José Juliano, presente!”.

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