Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Eunice Durham participa de debate no IEA em 2014

 

Faleceu nesta terça-feira (19/7) a antropóloga Eunice Ribeiro Durham, Professora Emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O velório ocorreu nesta quarta (20/7), no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra. Nascida em Limeira, Eunice havia completado 90 anos no último dia 3/7.
 
A antropóloga construiu toda a sua trajetória acadêmica na USP. Graduou-se em Ciências Sociais em 1954 e fez mestrado (1964) e doutorado (1967) em Antropologia Social na universidade.
 
Entre outros cargos que ocupou na vida pública, Eunice foi presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 1990-91, no governo Collor, no qual foi ainda secretária nacional de Educação Superior do Ministério de Educação (MEC) em 1992. No governo FHC, foi secretária nacional de Política Educacional do MEC entre 1995 e 1997.
 
O Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP (NUPPs) publicou nota na qual lamenta o falecimento da antropóloga, “que por muitos anos dirigiu e inspirou a vida intelectual e acadêmica” do núcleo. “A Professora Eunice foi uma voz poderosa em defesa da Ciência e da Pesquisa. Além de sua contribuição intelectual à Antropologia Brasileira, o NUPPs lembra em especial seu legado para a área que explora as mudanças por que passa o Ensino Superior à medida que responde às novas demandas da sociedade do conhecimento.”
 
A nota chama a atenção para o fato de que Eunice foi professora titular da FFLCH “numa época em que poucas mulheres chegavam a essa posição” e ocupou também a presidência da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).
 
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da qual a professora foi vice-presidente de 1989 a 1991, publicou nota na qual diz que Eunice estava sempre presente nas reuniões anuais e que “tinha posições firmes e não poucas vezes polêmicas em relação às políticas de pós-graduação, de Educação Superior e de Ciência no Brasil”.
 
O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), do qual a professora foi uma das fundadoras, registra que Eunice Durham “deixa um legado intelectual inestimável”, escrevendo artigos “hoje considerados clássicos”, que podem ser lidos na revista Novos Estudos Cebrap.
 
“Eu fiz mais uma antropologia na cidade do que uma antropologia da cidade”, disse a professora numa entrevista gravada em 2009 para o projeto Narradores urbanos – Antropologia urbana e etnografia nas cidades brasileiras, produção do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Nunca na verdade me dediquei ao fenômeno urbano enquanto tal. Para mim o urbano sempre foi o contexto no qual eu estudava outros problemas.”
 
Sobre os seus trabalhos de mestrado e doutorado, explicou ter estudado a imigração italiana na zona rural e na cidade, demonstrando “o que havia de diferente e o que havia de comum nessas duas trajetórias, a trajetória na zona rural e a trajetória na zona urbana, e como elas estavam intimamente integradas uma com a outra”.
 
“Acho que o importante que a gente faz está no trabalho, nos livros, nos artigos, não está na minha vida pessoal”, afirmou às entrevistadoras.

Professora integrou comissão da Adusp que denunciou perseguições na ditadura

Em 1978, Eunice Durham foi relatora da comissão especial formada pela Adusp para registrar e denunciar as perseguições institucionais ao corpo docente da USP desfechadas pela Ditadura Militar. O relatório foi publicado com o título O livro negro da USP – O controle ideológico na Universidade.
 
O trabalho ganhou duas novas edições, sob o título O controle ideológico na USP (1964-1978), publicadas respectivamente em 2004 e, em coedição com a Edusp, em 2018.
 
Já em 2013, a professora foi nomeada para integrar a Comissão da Verdade da USP, constituída pelo então reitor J. G. Rodas. No ano seguinte, solicitou desligamento da comissão por razões pessoais. O trabalho realizado em 1978 “subsidiou a elaboração do volume 7” do Relatório Final da Comissão da Verdade, destaca o colegiado na apresentação dos volumes.
 
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