Um levantamento realizado pela Adusp, com base na edição de 2022 do Anuário Estatístico da USP que traz dados do ano de 2021, sugere que os percentuais de estudantes preto(a)s, pardo(a)s e indígenas nos cursos de graduação e pós-graduação são bem menores que os alardeados pela Reitoria. Estudantes branco(a)s continuam constituindo larga maioria tanto na graduação como na pós-graduação. Os dados do Anuário baseiam-se nas informações prestadas pelo(a)s próprio(a)s estudantes, parte do(a)s quais prefere abster-se de declarar a que raça pertence ou julga pertencer.
 
De acordo com o Anuário 2022, o total de 60.817 aluno(a)s de graduação existente em 2021 distribuía-se da seguinte forma no tocante à etnia e raça: branco(a)s, 38.528 ou 63,35%; pardo(a)s, 9.990 ou 16,43%; amarelo(a)s, 3.070 ou 5,05%; preto(a)s, 2.906 ou 4,78%; indígenas, 73 ou 0,12%. Deixaram de informar esse dado 6.250 graduandos (10,28%).
 
Assim, o contingente de pessoas amarelas, pretas, pardas e indígenas (APPI) soma 16.039 ou 26,37% do total de estudantes de graduação. Já as pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI), conforme estratificação elaborada pela Adusp, são 12.969 ou 21,32%. Portanto, embora tenha havido inegável avanço no tocante a maior diversidade social do corpo discente, o sistema de cotas empregado pela USP ainda não conseguiu alterar substancialmente a desigualdade racial.
 
Na página “VempraUSP!”, a Reitoria divulgou em 10/6/21 dados que induzem uma certa confusão: “Em 2021, a USP registrou o índice de 51,7% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas em seus cursos de graduação e, dentre eles, 44,1% autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI).”. Esse mesmo dado foi utilizado numa tabela intitulada “Evolução da Inclusão Social”, que apresenta esses percentuais como se fossem complementares: 51,7% EP (Ação Afirmativa Escola Pública) e 44,1% PPI (Ação Afirmativa Preto, Pardo e Indígena), quando o segundo deles é, na verdade, um recorte do primeiro.
 
Na pós-graduação, que conta com 45.503 estudantes, o número de quem deixou de informar a que etnia ou raça pertence foi superior a metade: 25.870 ou 56,85%. Quem informou se distribui da seguinte forma: branco(a)s, 15.376 ou 33,79%; pardo(a)s, 2.631 ou 5,78%; preto(a)s, 872 ou 1,92%; amarelo(a)s, 690 ou 1,52%; indígenas, 64 ou 0,14%. É importante registrar que o alto índice de pós-graduando(a)s que não informaram etnia ou raça deve-se, provavelmente, ao fato de  Reitoria só ter começado a registrar tal dado em 2020, com início da publicação no Anuário de 2021. Assim, temos de considerar que a opção da ‘não informação’ não foi do(a)s estudantes. O dado inclui, portanto, pessoas que ingressaram antes de 2020 e que ainda estão matriculadas e as pessoas que de fato não informaram.
 
Portanto, na pós-graduação o agrupamento APPI soma 4.257 estudantes, o equivalente a 9,36%, enquanto o agrupamento PPI conta com 3.567 ou 7,84%. No entanto, deve-se reiterar que o grande número de não declarantes lança dúvidas sobre a aferição.
 
Outro dado importante levantado pela Adusp no Anuário 2022, relativo a 2021, é a composição étnico-racial do corpo docente. O número de docentes efetivo(a)s informado pelo Anuário já é, de per si, estarrecedor: apenas 5.190, para uma universidade que se ampliou extraordinariamente nos últimos vinte anos e que já chegou a ter mais de 6 mil professores e professoras na ativa. Dos 5.190, somente 133 (2,56%) deixaram de informar o dado étnico ou racial, o que favorece uma avaliação realista.
 
O quadro é desolador, do ponto de vista da diversidade. Branco(a)s representam esmagadora maioria, somando 4.740 docentes ou 91,33% do total. A seguir vêm amarelo(a)s, com 197 (3,80%), pardo(a)s com 94 (1,81%), preto(a)s com 25 (0,48%) e um(a) único(a) indígena ou 0,02%! Docentes APPI são 317 ou 6,11%, enquanto PPI somam 120 ou 2,31%.
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