Pelo menos três unidades de ensino da USP realizaram plenárias virtuais dos três setores (docentes, funcionários técnico-administrativos e estudantes), conforme indicação da Assembleia Geral da Adusp de 15/6. As plenárias conjuntas por unidade são um passo importante na preparação da Plenária Geral dos 3 Setores que será realizada nesta quinta-feira (24/6), dia de paralisação dos docentes. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) realizou a sua em 18/6, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e o Instituto de Psicologia (IP) em 22/6.
 
Na FFLCH, conforme o relato dos seus participantes, a plenária debateu a necessidade de acolhimento e melhorias nos serviços de saúde mental da universidade, mas também o modo como a precarização geral da USP incide sobre a saúde mental naquela unidade e no conjunto da universidade. “Faltam professores e funcionários; deterioram-se as condições de vida, trabalho, estudo e moradia; bolsas de permanência e salários estão cada vez mais defasados; perpetua-se o assédio moral, o racismo e o autoritarismo nos ambientes de trabalho e salas de aula; e cresce a vigilância e a violência da PM no Câmpus, em especial sobre os moradores do Crusp”, registram.
 
“O espaço foi um desdobramento da mobilização que iniciaram os moradores do Crusp, reagindo aos mais recentes casos de suicídio de alunos nossos. Na discussão todos puderam manifestar e dividir com os demais seus principais problemas, tanto aqueles em comum quanto os específicos de cada categoria, para juntos combatê-los e protegermos nossa comunidade”, explicam. A plenária contou com a presença do diretor da FFLCH, Paulo Martins, que se comprometeu a receber os presentes e dialogar sobre todos os temas levantados.
 
Os participantes repudiaram o Estatuto de Conformidade de Condutas proposto pela Reitoria, cujo objetivo, acreditam, “é coibir ainda mais a organização e mobilização das três categorias”. Apontaram o comportamento da Reitoria frente à pandemia de Covid-19 como “descaso com a saúde e a vida dos uspianos, sobretudo com os funcionários que são pressionados ao retorno ao trabalho presencial não essencial”.
 
O relato enfatizou a “necessária manutenção da articulação entre as três categorias para nos mobilizarmos juntos contra esse cenário de grandes desafios” e indicou a realização de uma nova plenária conjunta no próximo período. As propostas incluem participação da Plenária Geral dos 3 Setores de 24/6 “apontando os desmontes e desmandos na USP”; manifestação em caráter de vigília na sexta-feira 25/6, na data de um mês do falecimento do estudante R.L.S.; formação de comissões para discutir o ensino; acompanhar o debate do Estatuto de Conformidade de Condutas; “centrar forças em dois eixos: recomposição de pessoal e valorização, e permanência estudantil”; debater reajuste de bolsas etc.
 
O documento final, que também propôs a participação “com muita unidade” nos protestos contra o governo Bolsonaro-Mourão que seriam realizados no dia seguinte (#19J),  é assinado pela Adusp, Sintusp e pelos centros acadêmicos de Letras (CAELL), Geografia (CEGE), Ciências Sociais (Ceupes), História (CAHIS) e Filosofia (CAF).

EACH aprova adesão à paralisação de 24/6 e protesta contra imposição de ensino remoto

A plenária conjunta realizada na EACH decidiu, por sua vez, aderir expressamente “à paralisação convocada para quinta-feira, 24/6, em ‘Defesa da USP e de melhores condições de trabalho e de estudo, pela recomposição salarial e de pessoal’, com participação nas atividades previstas para esse dia: 9h30, Plenária dos três setores da USP; 15h, Seminário do Andes-SN ‘Em defesa da vida e da educação’; 19h, Evento da APG USP São Carlos ‘Acolhimento Psicossocial: como manter a saúde mental na pandemia?’”.
 
Deliberou por expressar apoio aos seguintes documentos: 1) nota de repúdio da representação discente e do Diretório Acadêmico de Educação Física e Saúde (DAEFS), acerca do ensino remoto que se pretende impor ao bacharelado desse curso da EACH;  2) carta de docentes negras e negros “Por Respeito à Diversidade na USP”; 3) manifesto do Instituto de Biociências sobre violência de gênero; 4) “Manifesto da Frente USP Democrática e Solidária”.
 
A plenária da EACH resolveu, ainda, “apoiar solidariamente o trabalho das servidoras da Superintendência de Assistência Social (SAS) e do Serviço Social da Prefeitura do Campus Capital-Leste”, reconhecendo sua importância e a sobrecarga à qual estão sendo submetidas, “o que exige a imediata recomposição do quadro funcional”.
 
Também solicitará à Diretoria da unidade que “informe a comunidade sobre o andamento dos Centros Acadêmico-Administrativos, especialmente o equacionamento do quadro funcional para sua instalação”. Uma nova plenária dos três setores na unidade ficou agendada para 13/7 às 10h30.

Acolhimento, permanência e cuidado com sofrimento mental devem ser políticas integradas, diz IP

Quarenta e quatro pessoas participaram da plenária conjunta do IP, com a pauta “Contra a descaracterização da universidade: defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada” e discussão sobre a paralisação convocada para 24/6, a campanha salarial da data-base, plano sanitário educacional e sofrimento psicológico na USP. 
 
As deliberações foram as seguintes: 1) adesão dos três setores à paralisação desta quinta; 2) apoio à carta “Por uma USP democrática e solidária”; 3) “recomendação de que sejam consideradas como políticas integradas e institucionais as medidas de acolhimento, permanência e cuidado com o sofrimento mental”.
 
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