O novo reitor da USP também assumiu o cargo de presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, que vinha sendo exercido por Vahan Agopyan. O mandato é institucional, dentro de um sistema de rodízio entre as universidades, e termina em abril

O Fórum das Seis encaminhou ao reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, empossado na última quarta-feira (26/1), um ofício solicitando o agendamento de reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Carlotti cumprirá até abril o mandato de presidente do Cruesp, que cabe ao reitor da USP, e será sucedido pelo reitor da Unicamp, Tom Zé.
 
No ofício, o Fórum cobra o agendamento urgente de uma reunião, ainda em janeiro, “para que possamos dar continuidade à negociação em aberto entre as partes, mais especificamente a respeito da reivindicação de 20% de reajuste para as categorias, como parte da inflação acumulada desde maio/2012, e da valorização dos níveis iniciais das carreiras”.
 
O documento lembra que no último dia 12/1 houve uma reunião entre as equipes técnicas do Cruesp e do Fórum, na qual os representantes do Cruesp deixaram de  apresentar as simulações que se comprometeram a fazer sobre o impacto da aplicação do índice de 20% aos salários em janeiro de 2022 e sobre as propostas do Fórum para a valorização dos níveis iniciais das carreiras.
 
Em reunião anterior, o Cruesp havia se comprometido a apresentar essas projeções, o que não ocorreu. “Assim, lembramos a necessidade de que tais simulações nos sejam enviadas o quanto antes”, diz o ofício.
 
Além da questão salarial, informa o Boletim do Fórum das Seis, as entidades solicitam que a próxima reunião entre as partes tenha em pauta outras duas questões relevantes: 1) a posição das universidades sobre os tempos aquisitivos dos servidores no período de vigência da Lei Complementar (LC) 173/2020 e que impactam direitos relativos a quinquênios, sexta-parte, licença-prêmio, progressões e outros; 2) o debate democrático sobre o retorno às atividades presenciais, especialmente no momento em que as contaminações crescem exponencialmente por conta da variante Ômicron e o número de mortes provocadas pela Covid-10 volta a preocupar — o Estado de São Paulo registrou 259 óbitos na última quinta-feira (27/1).
 
“Julgamos importante, também, que as assessorias econômico-financeiras das Reitorias estejam presentes na reunião entre Cruesp e Fórum”, diz o ofício.
 
O Fórum das Seis cumprimenta Carlotti pela posse e deseja ao novo reitor “uma gestão profícua e de bons frutos para a universidade pública, a comunidade acadêmica que a constrói no dia a dia e a sociedade que a sustenta e se beneficia dos seus relevantes serviços em ensino, pesquisa e extensão”.

Comprometimento na USP foi de 66,57% em 2021, o menor desde a autonomia

O Boletim do Fórum recorda que, de acordo com os dados do Cruesp, o comprometimento com a folha de pagamento dos recursos do ICMS-QPE repassados às universidades em 2021 foi o menor desde a conquista da autonomia, em 1989.
 
A média das três universidades ficou em 66,84%. Na USP, o comprometimento médio foi de 66,57%; na Unesp, de 65,18%; e na Unicamp chegou a 69,25%.
 
Enquanto isso, a inflação segue em disparada. O INPC, medido pelo IBGE, ficou em 10,16% em 2021. O acumulado de maio de 2012 (referência das categorias) até dezembro de 2021 é de 77,46%.
 
Como o reajuste no período alcançou 27,01%, o índice de reposição necessário para a recuperação do poder aquisitivo de maio de 2012 era de 39,72% em dezembro de 2021.
 
Se nada for feito agora, alerta o Fórum das Seis, supondo-se uma inflação em torno de 4% no primeiro quadrimestre do ano, chegaremos a maio/2022 precisando de cerca de 45% de reajuste para recuperar o valor que os salários tinham em maio de 2012.
 
Foi esse cenário, somado à postura intransigente do Cruesp de não negociar a essência da data-base das categorias (recuperação salarial, valorização dos níveis iniciais das carreiras e discussão do retorno presencial seguro), que levou o Fórum a atualizar a Pauta de Reivindicações de 2021, com os seguintes pontos:
 
1) Reajuste, a partir de janeiro de 2022, de 20% para recuperação parcial da perda acumulada desde maio de 2012;
2) Negociação de um plano de reposição para zerar as perdas restantes, relativas ao período de maio de 2012 a abril de 2022, com a perspectiva de concluir a discussão desse plano ainda na data-base de 2022; e da valorização dos níveis iniciais das carreiras, com base nas propostas do Fórum das Seis.
 
A coordenação do Fórum das Seis indica a realização de assembleias de base, até o próximo dia 11/2, nas quais as categorias devem se posicionar sobre as seguintes propostas:
 
1) Realização de uma manifestação —presencial e/ou virtual, de acordo com o cenário da pandemia — em data a ser deliberada.
2) Caso o Cruesp não mude a sua postura de descaso e desrespeito às categorias e não haja negociações efetivas das reivindicações das categorias, não será iniciado o primeiro semestre letivo de 2022.
 
A Adusp realizará a sua assembleia geral no dia 9/2, às 17h, em formato remoto. A diretoria convida as unidades a fazerem assembleias setoriais.
 
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