Daniel GarciaDaniel Garcia
Paulani, Benevieri e Singer: análise da conjuntura política e econômica (Foto: Daniel Garcia)

Em debate promovido pela Adusp nesta quinta-feira (22 de outubro), a professora titular Leda Paulani, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), e o professor titular André Singer, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), apresentaram suas visões sobre “A conjuntura política e econômica com olhar sobre os resultados do dia 4 de outubro”, título da mesa-redonda. O debate foi realizado no Anfiteatro da Geografia, na Cidade Universitária, e teve mediação do professor associado Pierluigi Benevieri, docente do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) e diretor da Adusp.

Na abertura de sua fala, a professora Leda Paulani classificou o momento atual como “um dos mais aflitivos” da história brasileira. Sua explanação centrou-se nas razões pelas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está enfrentando sua eleição mais difícil para um novo mandato, mesmo tendo feito o que qualificou como “o governo mais à esquerda” dos três períodos em que esteve à frente da Presidência.

“Este foi o mais pródigo com os programas sociais. Fez medidas de justiça redistributiva, conseguiu aprovar a reforma tributária, eliminar os impostos da cesta básica, que também vai ser um elemento de justiça tributária, alguns privilégios foram reduzidos com muita luta e a muito custo pelo nosso colega Fernando Haddad [ex-ministro da Fazenda e professor licenciado da FFLCH], e além de tudo tivemos a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil sem aumentar despesa, porque essa perda de receita é compensada pelo aumento de quem está bem nos andares de cima das faixas de renda”, apontou.

De acordo com a professora, “não se pode negar que houve muitos avanços nesse terceiro mandato que beneficiaram sobretudo as camadas de renda mais baixa, que são a maioria do nosso país”. Apesar desses “avanços muito tênues na redução da desigualdade e da extrema pobreza, ainda somos um país muito desigual”, salientou.

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Público que assistiu ao debate também pôde participar da discussão

O professor André Singer ressaltou que um aspecto fundamental a ser levado em conta na compreensão do cenário atual é a ascensão de uma “nova extrema-direita” no mundo e no Brasil nos últimos dez anos, cujo marco de início pode ser localizado, em termos simples, na primeira vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, em 2016.

Singer enfatizou que sempre houve forças de extrema-direita atuando em distintos países depois da Segunda Guerra Mundial, mas que “há grande diferença entre o trumpismo e o movimento liderado pelos Le Pen na França”.

“Exatamente qual é a diferença, a ciência política ainda está debatendo, e aí entra o problema do fascismo. Há colegas que defendem a ideia de que estes são movimentos fascistas ou neofascistas, e eu tenho argumentado que há elementos de fascismo neles, mas também há elementos muito diferentes do que foi o fascismo histórico”, afirmou.

Na avaliação do professor, “esses movimentos, que vêm crescendo no mundo inteiro e em cada país de maneira diferente, mas de modo geral indo na direção de um tipo de política que vai acabar destruindo a política, são dotados de uma característica que é a seguinte: eles não estão produzindo golpes de Estado, mas estão produzindo uma erosão lenta da democracia por dentro da democracia”. São movimentos, prosseguiu, que “estão procurando subverter a ordem democrática usando a legalidade democrática”.

Assista à íntegra do debate no canal do YouTube da FFLCH.

A Diretoria da Adusp agradece calorosamente a Neia Almeida, do Cenedic, cujo apoio à divulgação do debate foi decisivo para seu êxito.

EXPRESSO ADUSP


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