Campanha Salarial 2011
Prêmio por “bom comportamento”?
Por ocasião da data-base 2011, mais uma vez sem negociação efetiva, foi decidido unilateralmente um reajuste que mal cobriu a inflação do período; não conseguimos levar adiante a discussão com os reitores sobre a proposta de valorização dos níveis iniciais da carreira docente, tão necessária para torná-la atraente.
Mas parece que não há escassez de recursos no caixa da reitoria da USP, pois agora chega o Prêmio Excelência Acadêmica Institucional e todos os docentes e funcionários da USP irão receber R$ 3.500,00 em duas parcelas de R$ 1.750,00 (em 26/12 e 11/01, respectivamente), o que é mais que o dobro do prêmio concedido em 2009.
Recorde-se que em 2010 não houve prêmio: a Comissão Gestora manifestou-se desfavoravelmente “com base nos indicadores constantes do artigo 3° da Resolução 5483” (que estabelece os critérios para sua concessão). Agora volta-se a distribuir a gratificação, coincidentemente em um momento em que a figura do reitor sofre intensa contestação e desgaste.
O que mais chama a atenção no USP Destaques de 6/12/11, que informa sobre o prêmio, é a explicação fornecida pela Reitoria: “O esforço de todos os servidores docentes e técnico-administrativos deve ser reconhecido nessa conquista, principalmente face à continuidade das atividades acadêmicas e administrativas, sem que houvesse qualquer tipo de paralisação ao longo do ano, o que vem contribuindo sobremaneira para a melhora dos índices de qualidade da USP”.
Será que o trabalho dos cerca de 6 mil docentes e 15 mil funcionários da USP mudou tanto de qualidade, entre 2010 e 2011, que justifique a não concessão do prêmio no ano passado e a sua concessão neste ano? Ou será que a grande diferença se deve à avaliação da Reitoria quanto ao “bom comportamento” de docentes e funcionários que, no corrente ano, não lançaram mão do direito de greve na defesa de suas reivindicações?
Nunca é demais lembrar que o prêmio se insere na lógica produtivista, vinculada à variação dos (discutíveis) indicadores de desempenho da universidade e graças à qual a Reitoria se permite, de maneira totalmente arbitrária, conceder ou não as tais gratificações anuais, fugindo à necessidade de negociar aumentos reais com os sindicatos de docentes e de funcionários.
Ademais, quem não se lembra das declarações do reitor de que não haveria mais prêmios em sua gestão?
Informativo n° 339
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