As atividades em torno da XIII Jornada Universitária de Reforma Agrária (JURA) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) ocorrem desde o início deste mês de abril e envolvem uma inédita parceria de três Programas de Pós-Graduação (PPGs) mantidos por universidades públicas.

São eles o PPG em Ecologia Aplicada oferecido pela Esalq e pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA-USP); o PPG em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); e o PPG em Engenharia Agrícola da Universidade de Campinas (Unicamp). Esta colaboração favorece sinergias, o que permitiu reforçar a programação do “15º Abril Vermelho” no campus da UFSCar em Sorocaba.

Assim, foi realizada no dia 1o de abril a mesa de debates intitulada “Brasil Soberano e Guerra de Narrativas”, organizada pelo Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã. Seu ponto de partida foram as palestras de Bruna de Oliveira Costa, representando o Assentamento Ipanema, em Iperó (SP); de Elvio Motta, superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em São Paulo; de Paulo Eduardo Moruzzi Marques, coordenador da comissão de organização da JURA-Esalq (na qual também representa o GT PAS/Adusp); e de Maria Rodrigues, agricultora no assentamento Bela Vista, em Iperó.

Foram tratadas questões do passado, presente e futuro da agricultura familiar, do acesso à terra e do direito à alimentação. Inicialmente, as exposições permitiram realçar a enorme dívida social do país (“impagável”) com as comunidades indígenas, quilombolas, camponeses e outras categorias sociais do campo despojadas de seus direitos elementares, em primeiro lugar o acesso à terra. Em seguida, falou-se do desmonte, ocorrido no decorrer da última década, de importantes conquistas sociais, que permitiam responder parcialmente às demandas relacionadas à agricultura familiar e à soberania alimentar.

A reconstrução desde 2023 deste conjunto de políticas públicas que cumpriam aquele papel encontra muitos obstáculos, especialmente frente ao poder excessivo que o Congresso Nacional passou a deter nos últimos anos com o inchaço das emendas parlamentares. Ainda sobre o contexto atual, foram lembrados os riscos que rondam a soberania brasileira e de outros países em razão do imperialismo e belicismo ostensivos dos EUA, contando com o apoio desinformado de “vassalos” nacionais que enfumaçam o discernimento da opinião pública.

Experiências promissoras de resistência popular realizadas em diversos assentamentos foram relatadas, tal como a da Escola Glaucia na Fazenda Ipanema, incluindo a expressão artística como notável meio de transformação social, e os quintais produtivos, impulsionados pelas demandas feministas da Marcha das Margaridas.

As questões levantadas para debate centraram-se nas perspectivas futuras para a reforma agrária e para a agricultura familiar, considerando especialmente o papel da juventude e das utopias para impulsionar transformações. A informação segundo a qual a “transição agroecológica” se torna nos dias de hoje o eixo central da ação do MDA imprimiu a tonalidade das respostas.

A agroecologia representa uma perspectiva pujante para o despertar de interesse pelas atividades agrícolas por parte dos jovens do campo, associadas ao desenvolvimento de tecnologias susceptíveis de minimizar o penoso trabalho na agricultura e de oferecer também ferramentas digitais pertinentes de informação e comunicação.

A defesa do projeto agroecológico constitui igualmente uma base argumentativa potente para conquista de aliados nas cidades, ao mesmo tempo respondendo à demanda crescente por alimentos saudáveis e reforçando narrativas em prol da soberania alimentar, tal como defendida pela Via Campesina.

A XIII JURA-Esalq terá início neste sábado, 11 de abril. Confira aqui outras informações.

EXPRESSO ADUSP


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