Campanha Salarial 2010
Enquanto o Forum das Seis negocia, o Cruesp negaceia
Arrogância e desrespeito foram a tônica do comportamento dos reitores na reunião de 11/5
Vamos falar claro: na primeira reunião de data-base de 2010 entre Fórum das Seis e Cruesp, pouca negociação houve. A extensão do reajuste de 6% aos funcionários técnico-administrativos e a reivindicação da parcela fixa de R$ 200 foram peremptoriamente negadas; e foi comunicado o reajuste de 6,57%, correspondente à inflação de 5,07% medida pela Fipe, acrescida de 1,43% a título de recuperação de perdas.
| Daniel Garcia |
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| Ato na rua Itapeva, durante a negociação, mobilizou a comunidade |
A reunião foi caracterizada pela arrogância, intransigência e desrespeito, por parte do Cruesp, às falas dos representantes do Fórum. O presidente do Cruesp, reitor da Unicamp, monopolizou a pouca negociação e a muita negaça: do tempo de fala dos reitores, ocupou cerca de 85%, enquanto a intervenção do reitor da Unesp durou 14,9%. O reitor da USP limitou-se a concordar com as manifestações dos demais, em sua única intervenção durante toda a reunião.
O que afirmaram os reitores?
• os 6% aos docentes vieram para equiparar os salários de doutores e titulares aos salários das universidades federais.
Indagamos: e a “reestruturação da carreira docente”, que apareceu no comunicado nº 1 do Cruesp e foi várias vezes reiterada pelos reitores, que fim levou?
• no arquivo do Cruesp não há menção à isonomia salarial.
Os princípios da isonomia salarial constam do acordo de data-base assinado em 10/04/1991, pelo Cruesp e Fórum das Seis.
• o aumento da arrecadação do ICMS nos três primeiros meses de 2010, sobre igual período de 2009, não prosseguirá nos meses seguintes.
O Cruesp abandonou os R$ 59 bilhões previstos pelo governo estadual e adotou a previsão de R$ 61,2 bilhões, enquanto o Fórum, baseando-se em previsão de inflação de 5,5% e crescimento de 5% do PIB em 2010, prevê que a arrecadação chegará a R$ 63,2 bilhôes.
• a parcela fixa não cabe na filosofia do Cruesp, pois destruiria a carreira dos funcionários.
Perguntamos: os 5% de interstícios são sagrados?
Essa postura do Cruesp resultou numa radicalização e ampliação do movimento dos funcionários das três universidades, como resposta ao reajuste diferenciado concedido a professores e funcionários técnico-administrativos. Os docentes das três universidades também mostram seu descontentamento com a quebra da isonomia, como exemplificam as assembleias da Adusp realizadas em São Paulo e Ribeirão Preto, que deliberaram: 1. Realizar, em 18/5, dia de mobilização com participação no Ato do Fórum das Seis; 2. Manifestar-se contra todas as medidas que atacam o direito de greve e criminalizam o legítimo direito de defesa dos interesses da categoria; 3. Propor ao Fórum a apresentação de contraproposta, na próxima reunião de negociação, em 18/5, reivindicando a extensão dos 6% aos funcionários.
Voltamos a conclamar os colegas a participarem do ato do dia 18/5 para transformar a “negaciação” em negociação de fato!
Informativo nº 306
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