Campanha Salarial 2014
Reitor reduz para 1.700 “público alvo” do PIDV e aprova proposta no Co atropelando a oposição
Na reunião de 2/9 do Conselho Universitário (Co), que aprovou por 71 votos a 30 (com quatro abstenções) a proposta da Reitoria de Plano de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), o reitor M.A. Zago rejeitou “toda e qualquer solicitação de vistas de alguns membros e também solicitações para retirada de pauta, com pedidos para que se estabelecesse um período maior de discussão com a comunidade USP sobre esta questão”, segundo informa em seu blogue José Renato Araújo, representante dos professores doutores no Co.
No debate, a principal alegação do presidente da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) foi a vinculação da aprovação do PIDV “para o estabelecimento de qualquer possibilidade de construção de uma proposta de reajuste salarial, a ser encaminhada para o Cruesp”, portanto “a posição da Reitoria foi a vinculação entre os dois pontos de pauta, apesar de serem votados separadamente, sendo impossível pensar, segundo a Reitoria, em qualquer proposta de reajuste salarial no caso de não aprovação” do PIDV. “Vários conselheiros se posicionaram contra os argumentos da Reitoria e da COP”, relata José Renato.
O professor Luiz Menna-Barreto, representante da Congregação da EACH, comenta que a discussão foi intensa, marcada por manifestações dos representantes dos servidores, que propuseram inicialmente a retirada de pauta e pedido de vistas (ambas negadas pelo reitor): “Dúvidas sobre os efeitos do programa, sobretudo o esvaziamento de alguns setores em função de demissões de quadros experientes, além de questionamentos sobre o impacto do programa (R$ 400 milhões) nas combalidas finanças da universidade, foram objeto de ponderações por diversos professores”, explica.
Mudança de posição
“Fiquei bastante surpreso pela manifestação do reitor em relação ao encaminhamento das discussões: se deveriam envolver também a questão salarial ou se deveriam ser tratados, debatidos e votados independentemente. O reitor declarou-se inicialmente pela independência dos temas e mais tarde defendeu sua estreita vinculação”, relata Menna. “Essencialmente, o que foi dito por ele é que nenhum reajuste poderia ser concedido caso o PIDV fosse rejeitado pelo Co. A votação expressou bem o poder de convencimento dessa tese. Votei contrariamente, motivado pelas dúvidas sobre o programa e pela condução pouco democrática da discussão”.
Neste contexto, a discussão seguinte, sobre o reajuste salarial, “foi pautada por uma posição da Reitoria, baseada nos estudos da COP, da impossibilidade de construção de qualquer outra proposta pelo Co”, esclarece o professor José Renato, de modo que “encaminhou-se a votação do parecer da COP, condicionando que em caso de não aprovação nosso reitor iria dar os encaminhamentos necessários à construção de uma proposta alternativa àquela”.
A proposta da COP, endossada pela Reitoria e aprovada por 75 votos a 15, com duas abstenções, recomenda ao reitor encaminhar ao Cruesp a proposta de reajuste salarial de 5,2%, correspondente ao índice FIPE, “a ser concedido em duas etapas: a primeira de 2,6%, a partir de outubro de 2014, e a segunda de 2,534%, a partir de janeiro de 2015”.
Redução do universo
Houve um redimensionamento do PIDV, com redução do contingente cuja demissão voluntária a Reitoria pretende obter. “O público-alvo do programa são servidores entre 55 e 67 anos, com vinte anos ou mais de trabalho na USP, que já estão aposentados pelo INSS ou com condições de aposentadoria. Segundo o reitor, atualmente, há, na Universidade, cerca de 1.700 servidores celetistas nessa condição”, informa a respeito o site oficial da Reitoria.
Ocorre que não é esse o universo que consta do documento original da Reitoria sobre o programa, o qual afirma claramente que “os estudos tomaram como referência um público-alvo formado por cerca de 2.800 servidores celetistas com idade entre 55 e 67 anos e com, pelo menos, vinte anos de trabalho na USP”.
Não obstante a redução da meta prevista, os índices de economia que se pretende alcançar com a medida não foram revistos, como se depreende da nota da USP: “Prevê-se, ainda, a redução da ordem de 6,5% a 7,5% nos gastos com a folha de pagamento, possibilitando a consequente redução do déficit e a aceleração da recuperação financeira da Universidade a partir de 2016”.
O comunicado oficial acrescenta que o Co indicou três diretores de unidades “para acompanhar o processo de desenvolvimento do programa, que deverá ser divulgado com maior detalhamento em breve”.
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