Segurança
“A negligência que ocorreu com meu filho dentro da Poli tem que acabar”, diz pai de Filipe Varea Leme
“Não temos mais vida”, define Fabio Leme ao se referir aos dezoito meses sem a presença do filho único do casal. “É um sentimento de tristeza profunda ao acordar e lembrar que não vou ouvir, ver, sorrir e conversar com ele.” O empresário acredita que, na ação cível, os dirigentes da USP assumirão a responsabilidade pela morte do jovem
Os pais do aluno de Geografia Filipe Varea Leme, de 21 anos, morto num acidente na Escola Politécnica da USP em abril do ano passado, consideram “muito branda” a pena de oito meses de serviços comunitários que caberá à funcionária da Poli que assumiu a responsabilidade pelo homicídio culposo.
A funcionária do Serviço Técnico de Informática pediu a Filipe e a um colega que levassem um armário carregado de livros para outro andar. No transporte, num elevador destinado a pessoas portadoras de deficiência, ocorreu o acidente que vitimou o jovem.
No início de outubro, a servidora assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), homologado pela 1a Vara Criminal do Foro Regional de Pinheiros, no qual confessa que, “agindo culposamente na modalidade negligência, deu causa ao óbito”.
“Sobre a confissão, foi o mínimo que se poderia esperar. Sobre a tarefa (pena) consideramos muito branda. Não tivemos participação no acordo que foi feito entre o MP e a ré”, disse ao Informativo Adusp o empresário Fabio Leme, pai de Filipe. Na sua avaliação, a pena poderia ser diferente, “se não houvesse a proteção da ré pelo Pacote Anticrime” [a Lei 13.964/2019, que introduziu no Código de Processo Penal a figura do acordo de não persecução penal].
O cumprimento do acordo extingue a punibilidade da funcionária na área criminal. Na área cível, a família move uma ação na qual pleiteia indenização por danos morais. “Nós acreditamos que seus dirigentes [da USP] assumirão a responsabilidade pela morte do Lipe e tomarão as providências necessárias para que esse episódio jamais se repita”, afirma Fabio Leme. “A negligência que ocorreu com meu filho dentro da Poli tem que acabar. Posturas precisam ser revistas, de forma a valorizar o estudante e seu potencial. Infelizmente, a precariedade em que se encontra a USP é o início do assassinato”, prossegue, qualificando a negligência já confessada pela servidora como “apenas um reflexo de todo esse descaso”.
Leme relata que, no dia do acidente, a universidade ofereceu acompanhamento psicológico a ele e sua esposa, Ester. “Porém, não durou muito e logo percebemos que a linha de conduta adotada pela USP não estava nos ajudando”, diz.
“Não temos mais vida”, define o pai ao se referir aos dezoito meses sem a presença do filho único do casal. “É um sentimento de tristeza profunda ao acordar e lembrar que não vou ouvir, ver, sorrir e conversar com ele. É muito difícil cada vez que temos que tratar do assunto – das etapas do processo, entrevistas e tudo o que se refere ao que aconteceu. Estamos fazendo terapia e, no meu caso, trabalhando bastante.”
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