Democracia na USP
Democracia no topo da agenda
Enganou-se quem imaginava que o novo ano traria bons ventos, que mudariam o clima na universidade. O ano letivo de 2012 principia sob o impacto de novas ações da Polícia Militar dentro do campus do Butantã, como a lembrar que não haverá “refresco” nem trégua. A PM permanece no campus e a ninguém será dado esquecer ou ignorar tal fato. A “reintegração” da moradia estudantil retomada na Coseas, em plena manhã do domingo de carnaval, com detenção de doze alunos, que sequer puderam de lá retirar seus pertences, sinaliza, com clareza, a disposição da Reitoria de continuar conduzindo manu militari os assuntos da Universidade, sejam eles de natureza trivial ou de ordem estrutural.
Assembleia Geral14/3/12, 4ª feira,17h00, Auditório da História
pauta: avaliação da Conjuntura:
pauta específica dos docentes:
mudança da sede da Adusp |
O autoritarismo crescente da gestão Rodas acaba por reavivar a bandeira histórica de democratização da Universidade. Não custa lembrar que, no que diz respeito à gestão, a USP é a mais conservadora das instituições brasileiras de ensino superior, sejam quais forem os ângulos e critérios de abordagem e comparação. O reitor cuida de levar ao limite as possibilidades que lhe são oferecidas pela estrutura de poder vigente, deixando de ouvir até o Conselho Universitário que, na grande maioria das situações, o apóia, criando uma prática ainda mais autoritária que aquela já existente.
São gritantes os desmandos praticados pela atual gestão — demissão em massa de funcionários ao arrepio de decisão do Supremo Tribunal Federal; aquisição e locação de prédios em locais distantes do campus e deslocamento arbitrário de funcionários; nomeação irregular de procuradores, objeto de investigação pelo Ministério Público, e tantos outros.
O Estatuto vigente, de 1988, dá guarida a uma enorme variedade de grandes e pequenos autoritarismos, que distorcem e afetam a vida de toda a comunidade, cotidianamente. O exemplo mais gritante é a incorporação, in totum, do regimento disciplinar, que tem sido fartamente utilizado pelas últimas gestões para perseguir, enquadrar e expulsar alunos.
A democratização dos colegiados; a eleição direta de chefes, diretores e reitor; a transparência das decisões, permitindo-se livre acesso de qualquer interessado a atas e outros documentos; o reconhecimento do direito ao contraditório em qualquer procedimento interno são pressupostos da real democratização da Universidade. Somente uma mudança desse quilate poderia oxigenar a USP, abrindo caminho para maior aproximação com a sociedade e para um combate efetivo ao produtivismo acadêmico e às distorções introduzidas pelo relacionamento com as fundações privadas “de apoio”.
A burocracia que controla a instituição, apoiada pelo governo estadual, não pretende admitir tais “excessos”. Por isso, a comunidade deve travar um intenso debate sobre o reflexo da atual estrutura de poder no cotidiano da vida acadêmica, para que a democratização da USP deixe de ser apenas uma palavra de ordem, para tornar-se uma realidade. A democracia precisa voltar ao topo da agenda!
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