Sucessão Reitoria
Na posse, Rodas fala de diálogo, enquanto a PM reprime manifestantes e prende três
O novo reitor da USP, João Grandino Rodas, tomou posse em evento realizado em 25/1 na Sala São Paulo. Três estudantes foram detidos e vários ficaram feridos após ação violenta da Polícia Militar durante manifestação que ocorria do lado de fora do local. O protesto, que contou com a presença de cerca de 80 manifestantes, foi organizado em conjunto por grupos do movimento estudantil da USP e pela Rede Contra o Aumento da Tarifa.
O ato tinha como objetivo questionar a legitimidade “de um reitor que obteve apenas 1/6 dos votos e ficou em segundo lugar” e reivindicar maior democracia na universidade, segundo informa o blog Pão e Rosas, ligado à Ler-QI (Liga Estratégia Revolucionária-Quarta Internacional), um dos grupos organizadores. Os manifestantes também aproveitaram a presença do prefeito Gilberto Kassab e de representantes do governo estadual para protestar contra o aumento das passagens nos transportes coletivos paulistanos.
Em seu discurso de posse, Rodas reiterou o “diálogo” como norte de seu mandato e pregou o fim da violência. “Que se instale um diálogo real; que se busquem consensos específicos; e, acima de tudo, que impere a boa fé”, disse. “A tarefa mais importante do reitor é propiciar as condições para tanto. Creio não haver outra perspectiva possível: a universidade já desperdiçou demasiada energia; os segmentos já estão cansados após tantos entreveros; e a sociedade não admite mais! Chega da violência, que sempre gera violência!”. A transcrição é do Portal Terra, em matéria publicada no dia do evento (“Pacificador, novo reitor da USP assume defendendo o consenso”).
Bombas
Do lado de fora, os estudantes, munidos de faixas e cartazes, gritavam palavras de ordem e usavam apitos para protestar em frente à porta do estacionamento da Sala São Paulo. “Não estávamos impedindo a entrada dos carros, mas apareceram policiais pedindo que desobstruíssemos a passagem”, conta Fernando Bustamante, estudante da Letras. Ele conta que os manifestantes foram então atacados com cassetetes e bombas de efeito moral.
“Um menino foi jogado no chão, deram uma ‘gravata’ nele e algemaram. Outro apanhou de cassetete na cabeça e ficou sangrando. Depois da primeira prisão e com o ato já disperso, um rapaz foi perguntar aos policiais quem era o comandante da operação e também foi preso”, conta.
Os três estudantes detidos assinaram um termo circunstanciado sob acusação de “desobediência, desacato e resistência” e foram liberados. Segundo o advogado da Rede Contra o Aumento, Lucas Santos, o termo será encaminhado ao Ministério Público, onde o promotor decidirá se abrirá ou não processo.
Matéria publicada no Informativo Adusp nº 300
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