Matérias do Informativo Adusp
Carta da Reitoria deixa beneficiários indignados
A carta circular GR/248 causou agitação e indignação. Diariamente, dezenas de docentes procuram a Adusp, por telefone, e-mail ou pessoalmente, para manifestar inconformidade com os termos da carta. Em entrevista ao Informativo Adusp, alguns dos beneficiários opinam sobre a atitude da Reitoria.
“Em primeiro lugar, ela tenta contestar a validade e a legitimidade de um julgamento que já transitou em julgado. Em segundo lugar, ela culpa a Adusp por todo o atraso na execução da determinação judicial. E finalmente ela insinua que não vai pagar, que vai jogar tudo na forma de precatórios”, protesta o professor aposentado Bernardo Kucinski (ECA).
Ele diz ter ficado “bastante escandalizado” com o conteúdo da carta, que, na sua opinião, atropela o fato de que existem duas dívidas: uma relativa aos reajustes de salário, imediatamente, e outra aos valores atrasados não pagos.
“Intervenção”
Para Kucinski, “cumpre à Adusp uma resposta, bem mais enérgica do que tem sido até agora”. Ele defende: “A Adusp tinha que pedir uma intervenção federal, uma intervenção da Justiça na universidade”, avalia.
A professora Roseli Fischman (FE) considera que “a demora da Reitoria em encontrar um caminho é um desrespeito”, e a circular enviada causou preocupação: “Tem que fazer essa incorporação — é que isso está na sentença. Não tem o que discutir. A Reitoria precisa entregar para a Adusp essa lista com os nomes e os valores [evolução salarial]. A Adusp não vai inventar esses dados”. Ela vê muita importância na abertura da ação, realizada pela Adusp, e no acompanhamento do tema pela associação ao longo dos anos.
“O gatilho pega pessoas que hoje estão, em sua maior parte, acima de 60 anos. Gente que foi privada de mais de um terço de seus salários. Faz muita diferença. É uma situação que se torna muito delicada”. Roseli acentua o caso dos colegas que estão falecendo e deixando de usufruir esse direito: “Esse tempo passou para nós individualmente. Para a instituição 20 anos é pouco, mas para cada um de nós individualmente, não”.
A Reitoria conseguiu, com a carta, criar uma grande expectativa e aumentar o nível de cobrança para que ela cumpra o que a justiça decidiu.
Matéria publicada no Informativo nº 281
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