Meio ambiente
Enquanto USP alardeia classificação em “ranking” de sustentabilidade, Cidade Universitária sofre com consequências de temporal por conta de infraestrutura precária
Várias unidades da USP na Cidade Universitária sofreram danos com a tempestade que atingiu a capital paulista no início da tarde da última segunda-feira (8 de dezembro). Felizmente, não há registros de vítimas.
Um dos prédios mais afetados foi o do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito) da Faculdade de Medicina (FMUSP), nas proximidades da Portaria 3.
A água derrubou placas do forro e invadiu corredores e salas, atingindo equipamentos, livros, documentos e móveis.
Vídeos gravados por docentes da unidade mostram a situação da sala de reuniões, cujo piso ficou tomado pela água. Placas do forro desabaram, e a água da chuva caía diretamente sobre a mesa, as cadeiras e os equipamentos.
Outras instalações destinadas a alunos(as) e docentes também foram atingidas, como a sala e um laboratório utilizados pela professora Renata Hydee Hasue, 1a secretária da Diretoria da Adusp.
Na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), algumas placas do forro do saguão foram danificadas, assim como vidros dos corredores da fachada. A faculdade orientou os(as) frequentadores(as) a utilizar as escadas para acesso às salas do pavimento superior, uma vez que a rampa está temporariamente interditada.

Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), parte do forro do teto do prédio da Administração cedeu durante a chuva. “Como foi algo isolado e ninguém se machucou, o professor Adrián Fanjul, diretor da FFLCH, apenas recomendou aos docentes abonar faltas para alunos que não conseguiram se deslocar até a faculdade por causa das chuvas e do trânsito”, informou a Assessoria de Imprensa da unidade. As aulas ocorreram normalmente, mesmo na segunda-feira. De acordo com a assessoria, o conserto do forro será realizado em breve.
Por sua vez, os(as) servidores(as) que trabalham no Bloco L, na Rua da Praça do Relógio, já estão acostumados(as) com a “invasão” da água a cada nova chuva. No prédio funcionam órgãos como o Departamento de Recursos Humanos (DRH), a Superintendência de Comunicação Social (SCS) e a Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (ABCD). A vedação das janelas, esquadrias e placas do prédio está bastante comprometida, e a água entra com facilidade nas salas e corredores, o que voltou a ocorrer no temporal da segunda-feira.
Pelo menos duas árvores caíram na Cidade Universitária: uma no estacionamento do Hospital Universitário (HU) e outra na Avenida Professor Almeida Prado, nas proximidades do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Um trecho da avenida foi interditado para a remoção da árvore, sendo liberado ainda durante a tarde.

Danos ocorreram 3 dias depois de comemoração de quinto lugar em ranking
A precariedade dessas construções e da manutenção das instalações — no Bloco L, por exemplo, os problemas são crônicos e a falta de soluções se arrasta há anos — faz pensar se a USP está de fato preparada para enfrentar o cenário da mudança climática e de suas consequências.
Para a Reitoria, no entanto, parece mais importante comemorar posição num ranking internacional, uma nova categoria de fetiche do cotidiano universitário que conquista cada vez mais espaço.
Os danos no câmpus ocorreram três dias depois de o Jornal da USP publicar que a universidade “manteve, pelo segundo ano consecutivo, o 5º lugar no ranking mundial de sustentabilidade UI GreenMetric e a liderança absoluta entre as universidades da América Latina”. A capa do portal da USP na Internet faz questão de ressaltar a láurea.
Num mundo em que a proliferação de rankings universitários já alcança o status preocupante de praga, o UI GreenMetric, criado pela Universidade da Indonésia, destaca-se, de acordo com o texto, por ser o primeiro “dedicado exclusivamente à avaliação de políticas e práticas de sustentabilidade em universidades”, e sua metodologia “considera 58 indicadores distribuídos em seis dimensões: infraestrutura; energia e mudanças climáticas; resíduos; água; mobilidade e educação; e pesquisa”.
A superintendente de Gestão Ambiental da USP, Patricia Iglecias, declarou à reportagem que, “ao seguir em posição de destaque no principal ranking mundial relacionado a este assunto, a USP reforça o seu protagonismo na agenda da sustentabilidade”. No discurso, tudo ok; agora só falta reforçar a infraestrutura real do câmpus.
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