Movimento Estudantil
Fúria inquisitória na Fundação Santo André
PM volta a desocupar faculdade e reitor Bermelho processa dezenas de docentes e estudantes
Na madrugada de 18/10, uma tropa de choque da Polícia Militar, reforçada por soldados à paisana, voltou a atuar no Centro Universitário da Fundação Santo André, retirando uma centena de estudantes e professores que estavam acampados no prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências (Fafil). Desta vez, não houve a violência de um mês antes (Informativo Adusp 245), mas os PMs filmaram os manifestantes e ameaçaram de prisão docentes que tentaram evitar a desocupação.
Os universitários querem o afastamento do reitor Odair Bermelho. Foi ele quem convocou a PM a fazer a retirada em 13/9, quando se registraram cenas de truculência policial. O motivo dos protestos iniciais foi a tentativa da Reitoria de reajustar em até 100% as mensalidades de alguns cursos. Após a primeira operação policial, estudantes e professores da Fafil entraram em greve, fizeram passeatas e promoveram um “tribunal” que julgou a conduta de Bermelho.
A Reitoria, que já ingressara, na 3ª Vara Cível de Santo André, com uma ação contra 29 professores e 21 estudantes, vai ampliar o processo, incluindo nele os nomes dos manifestantes que foram obrigados pela PM a identificar-se ao deixar o prédio da Fafil. Entre os docentes processados encontra-se até mesmo uma professora que não participou do movimento e se encontra atualmente no exterior.
Lúcia Rodrigues, professora da História da Economia, conversava por celular com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), tentando intermediar uma negociação com a tropa de choque, quando o oficial PM que comandava a operação ameaçou algemá-la e encaminhá-la, presa, à delegacia de polícia. Um vereador de Santo André foi impedido de ingressar no local.
Matéria publicada no Informativo nº 246
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