Opinião
Para entender a matança e o curso de Jornalismo
Neste artigo, o professor Luciano Victor Barros Maluly, do Curso de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) discorre sobre alguns desafios a serem enfrentados pelos docentes no processo de formação de futuras(os) jornalistas
Desenvolver habilidades é um dos pilares do curso superior, sendo fundamental para o futuro dos universitários. Essa estrutura consolida a base do projeto pedagógico, porque possibilita aliar teoria e prática.
Entre as muitas perguntas que os docentes são obrigados a responder em suas trajetórias nessas instituições de ensino, uma resposta assertiva é a de formar cidadãos responsáveis para exercício de suas profissões.
O curso de Jornalismo é o epicentro de uma ideia de Universidade Aberta, porque permeia diversas áreas, especialmente por levar ao conhecimento do público assuntos antes restritos ao universo acadêmico.
O início do curso é dedicado ao desenvolvimento da escrita. Nessa fase, mensagens particulares passam a ser públicas quando da publicação dos primeiros periódicos.
As matérias ganham corpo com a adesão das bases conceituais em audiovisual, tais como fotografia, vídeo, áudio, design, entre outras que, inclusive, possibilitam uma leitura da passagem do analógico para o digital.
Os verdadeiros professores que tive a oportunidade de conhecer, e/ou com os quais tive a oportunidade de trabalhar, defendem que o curso tem a obrigação de mostrar aos alunos o significado do “fazer jornalístico”, independentemente do meio.
Foi assim que os espaços para a produção de jornais-laboratórios — como as salas de redações, laboratórios multimídia e os estúdios de rádio e televisão — foram constituídos com o simples objetivo de “experimentar”.
No final, o fruto se colhe quando os estudantes elaboram sozinhos os seus projetos como também exercem os trabalhos com destreza, antes e após a formatura.
Nesse âmbito, alguns desafios são determinantes para a renovação dos cursos de jornalismo:
Cada vez mais, os professores estão preocupados em como lidar com o surgimento das tecnologias. Seja por medo ou fascínio, como agora, com o uso da Inteligência Artificial, esses docentes deixam de criar projetos ou espaços para a produção de periódicos para se dedicarem ao uso dessas ferramentas (muitas delas já conhecidas dos alunos).
Uma outra observação leva a refletir sobre a tarefa dos auxiliares de ensino nas faculdades. Para além dos professores e dos alunos, esses profissionais (incluindo os docentes que exercem cargos de gestão) são fundamentais para o sucesso das atividades em sala de aula e das pesquisas científicas. Diante das dificuldades no cotidiano de uma escola, uma pergunta é decisiva: “Do que precisa?”. Com isso, a equipe de apoio fortalece as disciplinas e os projetos, por meio de uma política de acolhimento.
Precisamos compreender a atual dinâmica da sociedade em que a indignação toma conta dos jovens de todo mundo que protestam contra os abusos ocorridos, recentemente, no Oriente Médio, na Europa, no Brasil e em outros países em conflito e com desigualdades extremas. O jornalismo que se pretende sério não aceita a naturalização desses terríveis acontecimentos como os exibidos nos notíciários sobre Gaza, Ucrânia e Rio de Janeiro. Ao reportar e explicar os fatos de modo independente e confiável, o comunicador fornece subsídios idôneos para que a sociedade tome posições em defesa da vida e contra essas atrocidades.
Ao promover debates, acompanhar e estimular reportagens in loco e construir políticas editoriais sólidas nos projetos experimentais, nós, docentes/jornalistas, participamos ativamente desse processo ao lado dos estudantes, ampliando os pontos de convivência hoje restritos aos encontros dentro da universidade.
Portanto, com nosso auxílio, esses futuros jornalistas assistirão as pessoas por meio de informações e opiniões com credibilidade. Quando comecei a lecionar, um grupo de estudantes perguntou sobre o motivo da minha escolha em ser professor. Respondi apenas que a minha missão era ajudá-los a conquistar seus sonhos.
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