Perseguição política
Perseguição política contra docentes da UFABC, UFSC e Unifal coloca em xeque a liberdade acadêmica
Um grande ato público foi convocado para o dia 2/8 às 17 horas na Universidade Federal do ABC (UFABC), em resposta à sindicância instaurada na universidade contra três professores, por razões de ordem política e motivadas por denúncia anônima. Organizado pela Associação dos Docentes (Adufabc), o “Ato Público contra o denuncismo, em defesa da liberdade acadêmica e da democracia” chamará atenção para perseguições de natureza administrativa e policial que vêm ocorrendo também em outras instituições federais.
“Precisamos reagir imediatamente contra toda a forma de perseguição e ameaça à autonomia universitária”, declarou a professora Maria Caramez Carlotto, presidente da Adufabc. “Não é só pela UFABC, mas pelo que está acontecendo em outros lugares, como o escandaloso caso do professor da UFSC que foi intimado pela Polícia Federal [PF] a depor depois de um evento público. Vamos deixar bem claro que a realização plena da missão da universidade pública pressupõe autonomia e liberdade de cátedra, tal como previsto na Constituição de 1988. O Estado policial que se implantou no país é ilegal e inconstitucional e simplesmente não aceitaremos”.
A sindicância em curso na UFABC tem como alvo os professores Giorgio Romano, Gilberto Maringoni e Valter Pomar, todos do curso de Relações Internacionais, “acusados” de terem promovido o lançamento, na instituição, do livro autobiográfico A verdade vencerá, do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e de terem feito manifestações de “apreço” ao ex-presidente e de “desapreço” ao governo atual.
No caso da UFSC citado pela presidente da Adufabc, o professor Aureo Mafra de Moraes, chefe de Gabinete da Reitoria, é investigado pela PF porque, ao final de uma homenagem ao falecido reitor Luiz Cancellier, realizada em dezembro de 2017, teria supostamente feito comentários caluniosos contra agentes da PF, durante entrevista à TV UFSC. Segundo a Folha de S. Paulo, um delegado federal intimou o professor para que ele informasse os nomes dos responsáveis pelo evento e por cartazes (exibidos na reportagem da TV) que responsabilizavam as autoridades federais envolvidas na Operação “Ouvidos Moucos”. Cancellier suicidou-se depois de ter sido preso por “obstrução das investigações” de um caso de desvio de recursos envolvendo uma fundação privada dita “de apoio”.
Outro caso grave ocorreu na Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), que decidiu exonerar o professor Luciano Martorano, tradutor do alemão para o português de obras como A Ideologia Alemã e O Manifesto Comunista. A alegação é de que Martorano incorreu em “desídia” no desempenho de suas funções. O Andes-Sindicato Nacional e a Adunesp emitiram notas de repúdio à exoneração do docente, afirmando que ele não teve nenhuma penalidade anterior à exoneração, nem amplo direito de defesa.
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