Saúde
Comunidade do Butantã realiza no dia 8/12 manifestação para exigir contratação de mais funcionários na UPA Rio Pequeno; população sofre com superlotação e demora no atendimento
A comunidade do Butantã realiza na próxima segunda-feira (8/12) uma manifestação para denunciar a grave situação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno. A concentração será às 16h, em frente ao Instituto Butantan (av. Vital Brasil, 1.500). A previsão é de que às 16h40 seja realizada uma caminhada até a Estação Butantã do Metrô.
Os movimentos de moradores(as) e trabalhadores(as) da região vêm denunciando os problemas enfrentados pela população que procura atendimento na UPA, que vão da longa espera e superlotação até dificuldades para o encaminhamento de pacientes que precisam de internação hospitalar. Um dos objetivos da manifestação é exigir a contratação de mais funcionários(as).
Em Carta Aberta divulgada na Internet – o documento está recebendo adesões por meio de abaixo-assinado –, os movimentos relatam que a unidade, criada em abril de 2024, enfrenta grandes dificuldades desde que a Prefeitura de São Paulo fechou, três meses depois, o Pronto-Socorro (PS) Caetano Virgílio Neto, também conhecido como PS Bandeirantes.
Em janeiro deste ano, a Prefeitura noticiou o início das obras da UPA III Butantã, que ficará no mesmo local do antigo PS Bandeirantes. A unidade deve ser entregue no segundo semestre de 2026.
“Segundo dados oficiais, a UPA Rio Pequeno foi projetada para fazer 12 mil atendimentos por mês. Porém, ao longo de 2025, vem realizando mais de 20 mil atendimentos por mês com o mesmo número de funcionários (461)”, diz a Carta Aberta.
“Os trabalhadores da UPA Rio Pequeno vêm se desdobrando para enfrentar esta situação de superlotação. A pressão cotidiana, inclusive em conflitos frequentes com usuários, tem aumentado os problemas de saúde mental dos trabalhadores, com afastamentos e pedidos de transferência ou desligamento”, prossegue o documento.
Ainda de acordo com a Carta Aberta, o Conselho Gestor da UPA, eleito em janeiro deste ano, solicitou a contratação de mais 52 funcionários, em ofício encaminhado em junho à Coordenadoria Oeste e à Supervisão de Saúde do Butantã.
No início de agosto, o conselho reiterou a solicitação, em reunião com a coordenadoria e a Supervisão de Saúde. “Recebeu como resposta que a solicitação era procedente, que outras UPAs na cidade também viviam problemas semelhantes e que a Secretaria {Municipal da Saúde] havia formado uma comissão para, em curto prazo, apresentar uma solução envolvendo novas contratações”, diz o texto.
Embora a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) alegue que está tomando providências (leia abaixo), até o momento a população continua submetida a transtornos diariamente. Reportagem da Agência Mural flagrou casos como o de uma senhora de 90 anos, com suspeita de trombose pulmonar, que esperou 12 horas até ser transferida para fazer um exame no Hospital Universitário (HU) da USP. Sem maca ou leito disponíveis, a aposentada foi obrigada a passar o tempo todo numa cadeira.
Prefeitura destina quase 60% do orçamento da saúde a organizações privadas
A UPA Rio Pequeno é mais uma das dezenas de unidades de saúde da capital paulista geridas pela “Organização Social de Saúde” (OSS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – Programa de Atenção Integral à Saúde (SPDM- PAIS). Por sinal, a nova UPA do Butantã também será administrada pela SPDM, que é a maior OSS do país em volume de recursos públicos recebidos. A entidade é uma das 69 OSS qualificadas pela Prefeitura para atuar no âmbito do município.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o repasse mensal referente à administração da UPA Rio Pequeno para a SPDM em 2024 era de R$ 5,9 milhões. Isso significa que, no ano passado, a entidade privada recebeu quase R$ 71 milhões em recursos públicos para a gestão de uma única unidade.
Os números da apropriação de recursos públicos destinados à saúde pelo setor privado são astronômicos. O Relatório Anual de Gestão de 2023 elaborado pela SMS mostra que naquele ano o município destinou R$ 11,6 bilhões para o pagamento de contratos de gestão e convênios, o que equivale a 56,9% do orçamento total da saúde na cidade de São Paulo.
O Informativo Adusp Online enviou questionamentos sobre a situação da UPA Rio Pequeno para a Supervisão Técnica de Saúde do Butantã e para as assessorias de imprensa da SMS e da SPDM.
Em nota, a SMS respondeu que, “por meio da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Oeste, vem adotando medidas significativas para a melhoria do fluxo e da assistência na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno”.
As medidas citadas são “a implantação do Fast Track para agilizar os atendimentos, o uso do sistema TO LIFE para monitoramento em tempo real, a implementação de laboratório próprio, o Minilab e o reforço de capacitações”. A secretaria também “ampliou um ponto de classificação de risco e está revisando o plano de trabalho para ajustar a unidade à demanda atual”.
“A pasta também está concluindo uma análise do quadro de recursos humanos de todas as UPAs, a fim de garantir critérios técnicos na distribuição das equipes”, diz ainda a nota. “Sobre a UPA Butantã, a previsão de entrega é para o segundo semestre de 2026.”
A reportagem também perguntou à SMS e à SPDM quantas unidades de saúde municipais são gerenciadas pela entidade privada e qual é o total de recursos da Prefeitura destinados exclusivamente a ela. Os questionamentos não foram respondidos.
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