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Perdemos a colega Judith Klotzel, primeira mulher a presidir a Adusp
Faleceu em 30/11 a professora Judith Kardos Klotzel, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP), primeira mulher a presidir a Adusp (1985-1987). Judith notabilizou-se por sua intensa militância sindical, antes mesmo de assumir a presidência da entidade.
| Daniel Garcia |
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| Judith no evento comemorativo do trigésimo aniversário da Adusp, em 2006 |
Envolveu-se na luta pela anistia, durante a Ditadura Militar, tendo participado do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA) como representante da Adusp, desde sua formação.
Na visão de Judith, o exercício da política era um atributo da cidadania, digno de orgulho. “Participei ativamente de quase todas as atividades do CBA São Paulo”, declarou ela em depoimento à Fundação Perseu Abramo (FPA) em 2006. “Os anos de luta pela anistia, assim como as atividades posteriores, recepção de anistiados em aeroportos, conquista de anistia para os cassados e presos políticos, apoio à greve dos metalúrgicos do ABC etc., constituíram durante vários anos a minha atividade prioritária, quando frequentemente descuidava das atribuições como professora da USP, sendo advertida pelos meus colegas que eu estaria me prejudicando profissionalmente”.
Significativa
A professora considerava sua participação na luta pela Anistia como “a parte mais significativa” de sua vida, excetuando-se a família, e “a contribuição mais importante” para a sociedade em geral. “Esta atividade significa mais do que os aproximadamente 50 trabalhos científicos que publiquei em revistas nacionais e estrangeiras, as mais de 12 teses de mestrado e doutorado orientadas”, registrou no seu depoimento à FPA. “A luta pela anistia fez com que eu crescesse e amadurecesse política e pessoalmente”.
Em 2006, por ocasião do evento comemorativo do trigésimo aniversário da Adusp, Judith compareceu ao ICB-3 e integrou a mesa ao lado de ex-presidentes da entidade: os professores Antonio Candido, Crodowaldo Pavan, Francisco Miraglia, José Jeremias Filho e Modesto Carvalhosa, além do então presidente, professor César Minto.
Na ocasião, Judith relatou as dificuldades enfrentadas com a repressão ditatorial e com o reitor Hélio Guerra. “Escondi várias pessoas, líderes estudantis, que ficaram na minha casa”, contou a professora, que destacou a participação da Adusp no movimento sindical.
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