Geral
Antonio Robert Moraes, “Tonico” (1954-2015)
O corpo docente da USP perdeu um de seus lutadores: em 16/7, aos 61 anos, faleceu Antonio Carlos Robert Moraes, geógrafo e professor, desde 1982, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Segundo a Agência USP, sua morte decorreu de complicações surgidas após um transplante de fígado.
Tonico, como era conhecido na USP, tornou-se livre-docente em 2000 e Professor Titular em 2005, e destacou-se nas áreas de Geografia Política e Geografia Humana. Na FFLCH, coordenava o Laboratório de Geografia Política. Presidia a banca de Geografia do Instituto Rio Branco (Itamaraty) e coordenou a área de Geografia Humana da Fapesp. Foi professor visitante da Universidade Nacional da Colômbia (1989-1994) e da Universidade de Buenos Aires (1987-2009).
Paralelamente à sua consistente trajetória profissional como docente, Tonico exerceu uma persistente militância política, inclusive na Adusp, à qual filiou-se já na década de 1980. Nos últimos anos, fez questão de firmar sua posição sobre episódios relacionados à sua unidade e à USP.
Exemplo de sua visão da universidade e de sua prosa cortante é o conciso texto intitulado “Me gustan los estudiantes”, que distribuiu entre colegas durante a gestão de J.G. Rodas. Utilizando como mote a conhecida canção de Violeta Parra, ele coloca-se claramente em defesa do movimento estudantil (muito criticado na FFLCH por ações como o “trancaço”) e ao mesmo tempo faz uma crítica ao projeto neoliberal de universidade.
“Me gustan los estudiantes”, diz ele, “quando a contenção das contratações começa a tornar inviável cumprir as grades curriculares e mesmo assim o corpo docente continua dando aulas para classes cada vez maiores, porém, hipnotizado pelo culto da ordem, não se rebela contra a situação”.
“Me gustan los estudiantes”, continua, “quando um imobilismo político domina o corpo docente, parte cooptado por pequenos afagos, parte tornado zumbi pela ideia fixa do Currículo Lattes, parte ainda empenhado na luta para subir nessa estrutura de poder montada na USP e, finalmente, parte ganhando dinheiro nas fundações […]. Diálogo já.” E em seguida, uma pitada de ironia: “Triste esse momento de tantas injustiças e tão pouca revolta, quando os docentes parecem só conseguir clamar pela ordem”. Leia a íntegra.
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